A construção textual “E, aliás, gosto dos epitáfios; eles sã...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2019 Banca: IDECAN Órgão: IF-PB Prova: IDECAN - 2019 - IF-PB - Professor - Artes |
Q2005704 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

FILOSOFIA DOS EPITÁFIOS

          Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum (*); parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos. 

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
A construção textual “E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo (...)” (linhas 2 e 3) constrói-se por meio de recurso de ironia, o que gera, no contexto apresentado, uma crítica  
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Esta questão exige interpretação de texto, com foco na compreensão das figuras de linguagem, especialmente ironia, e na identificação do alcance filosófico da crítica feita pelo narrador acerca dos epitáfios.

O trecho de Machado de Assis se caracteriza pela ironia: o narrador diz que gosta dos epitáfios, mas na verdade faz uma crítica à necessidade humana de perpetuar a própria memória após a morte, identificando nessa prática um “pio e secreto egoísmo”. Ou seja, o apreço declarado é estratégico: revela-se logo um tom questionador e reflexivo sobre a motivação profunda que leva homens a inscreverem seus nomes nos túmulos e a dor de não ser lembrado (os mortos na vala comum).

Essa análise é predominantemente filosófica, pois extrapola questões sociais ou religiosas e examina o sentido existencial e psicológico do ser humano diante da morte. É uma crítica reflexiva, questionando o comportamento humano de buscar permanecer como memória, mesmo sabendo da finitude.

Justificativa da alternativa (C) correta:
A alternativa C) predominantemente filosófica acerca da função dos epitáfios é a resposta certa porque identifica precisamente o teor reflexivo e a natureza do questionamento feito no texto: refletir sobre a função existencial e simbólica dos epitáfios na cultura humana, além de sua superficialidade, por meio de uma crítica irônica.

Por que as demais alternativas estão erradas?

  • A) Exclusivamente social: Errado, pois a crítica não se limita às relações sociais, mas penetra o âmbito da reflexão filosófica.
  • B) Predominantemente dogmática: Errado, pois não trata de questões religiosas ou doutrinárias.
  • D) Exclusivamente epistemológica: Errado, pois epistemologia trata do conhecimento, e o texto não discute isso.
  • E) Exclusivamente social acerca da função: Errado, pela mesma razão da alternativa A.

Estratégias de interpretação:
Busque sempre identificar o tom crítico/irônico e o nível de abrangência do comentário — no caso, filosófico. Esteja atento a palavras e expressões como “egoísmo”, que ampliam o sentido do texto.

Referências: Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”, figuras de linguagem) e Cunha & Cintra (“Nova Gramática”), além dos próprios textos machadianos, destacam que a ironia frequentemente provoca reflexões filosóficas.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Vamos analisar o trecho:

  • O narrador afirma gostar dos epitáfios, mas de forma irônica:
  • Ele diz que eles são uma expressão de “pio e secreto egoísmo”, ou seja, algo aparentemente piedoso, mas na verdade motivado por vaidade ou egocentrismo.
  • A frase “gente civilizada” também é usada de forma crítica, sugerindo que essa “civilização” se vale de rituais como os epitáfios para manter as aparências, a memória ou mesmo a ilusão de permanência.

Trata-se de uma crítica filosófica, pois:

  • Reflete sobre o sentido da morte, da memória, da vaidade humana diante do fim.
  • Questiona a função dos epitáfios — não como homenagem sincera, mas como forma de resistir à morte ou de manter a própria imagem.

C - predominantemente filosófica acerca da função dos epitáfios.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo