A construção textual “E, aliás, gosto dos epitáfios; eles sã...
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Tema central: Esta questão exige interpretação de texto, com foco na compreensão das figuras de linguagem, especialmente ironia, e na identificação do alcance filosófico da crítica feita pelo narrador acerca dos epitáfios.
O trecho de Machado de Assis se caracteriza pela ironia: o narrador diz que gosta dos epitáfios, mas na verdade faz uma crítica à necessidade humana de perpetuar a própria memória após a morte, identificando nessa prática um “pio e secreto egoísmo”. Ou seja, o apreço declarado é estratégico: revela-se logo um tom questionador e reflexivo sobre a motivação profunda que leva homens a inscreverem seus nomes nos túmulos e a dor de não ser lembrado (os mortos na vala comum).
Essa análise é predominantemente filosófica, pois extrapola questões sociais ou religiosas e examina o sentido existencial e psicológico do ser humano diante da morte. É uma crítica reflexiva, questionando o comportamento humano de buscar permanecer como memória, mesmo sabendo da finitude.
Justificativa da alternativa (C) correta:
A alternativa C) predominantemente filosófica acerca da função dos epitáfios é a resposta certa porque identifica precisamente o teor reflexivo e a natureza do questionamento feito no texto: refletir sobre a função existencial e simbólica dos epitáfios na cultura humana, além de sua superficialidade, por meio de uma crítica irônica.
Por que as demais alternativas estão erradas?
- A) Exclusivamente social: Errado, pois a crítica não se limita às relações sociais, mas penetra o âmbito da reflexão filosófica.
- B) Predominantemente dogmática: Errado, pois não trata de questões religiosas ou doutrinárias.
- D) Exclusivamente epistemológica: Errado, pois epistemologia trata do conhecimento, e o texto não discute isso.
- E) Exclusivamente social acerca da função: Errado, pela mesma razão da alternativa A.
Estratégias de interpretação:
Busque sempre identificar o tom crítico/irônico e o nível de abrangência do comentário — no caso, filosófico. Esteja atento a palavras e expressões como “egoísmo”, que ampliam o sentido do texto.
Referências: Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”, figuras de linguagem) e Cunha & Cintra (“Nova Gramática”), além dos próprios textos machadianos, destacam que a ironia frequentemente provoca reflexões filosóficas.
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Comentários
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Vamos analisar o trecho:
- O narrador afirma gostar dos epitáfios, mas de forma irônica:
- Ele diz que eles são uma expressão de “pio e secreto egoísmo”, ou seja, algo aparentemente piedoso, mas na verdade motivado por vaidade ou egocentrismo.
- A frase “gente civilizada” também é usada de forma crítica, sugerindo que essa “civilização” se vale de rituais como os epitáfios para manter as aparências, a memória ou mesmo a ilusão de permanência.
Trata-se de uma crítica filosófica, pois:
- Reflete sobre o sentido da morte, da memória, da vaidade humana diante do fim.
- Questiona a função dos epitáfios — não como homenagem sincera, mas como forma de resistir à morte ou de manter a própria imagem.
C - predominantemente filosófica acerca da função dos epitáfios.
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