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Q1969596 Medicina
Adolescente, 16 anos, é trazido à emergência com náuseas, vômitos e dor abdominal de início há cerca de 24 horas. É hígido, porém informa no último mês ter observado poliúria, polidipsia e turvação visual. Ao exame, emagrecido e com mucosas secas. Frequência cardíaca = 116 bpm; pressão arterial = 90 x 60 mmHg; frequência respiratória = 34 irpm. Abdome difusamente doloroso à palpação. Exames laboratoriais iniciais revelam: glicemia = 564 mg/dL; pH = 7,1; HCO3 = 10; cetonúria = 4+/4+. Com relação a essa condição clínica, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Tema central: O caso descreve um quadro típico de cetoacidose diabética (CAD) em adolescente, com evidências clássicas: poliúria, polidipsia, turvação visual, desidratação, hiperglicemia (>500 mg/dL), acidose metabólica (pH 7,1, HCO3 10) e cetonúria positiva.

Justificativa da alternativa correta (B):
A reposição de bicarbonato em CAD é tema de discussão. Embora a acidose marcada possa sugerir seu uso imediato, diretrizes nacionais (AMB/SBD) e internacionais (ADA/UpToDate) são taxativas: o bicarbonato NÃO está indicado rotineiramente, pois pode:

  • Promover hipocalemia: alcalinização desloca o potássio do extracelular para o intracelular, agravando a queda sérica de potássio;
  • Reduzir a oxigenação tecidual: ao alcalinizar, a curva de dissociação da hemoglobina se desloca para a esquerda, dificultando a liberação de O2;
  • Prejudicar função cardíaca e aumentar risco de edema cerebral, principalmente em crianças (trecho destacado no Projeto Diretrizes - SBD/AMB).

“O uso de bicarbonato não melhora a evolução... e pode prolongar a internação. Não há indicação do uso intravenoso de bicarbonato no tratamento da cetoacidose metabólica.”— Projeto Diretrizes: Cetoacidose Diabética, SBD/AMB.

Utiliza-se apenas em pH <6,9 com risco iminente de colapso hemodinâmico.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Corretamente, o início do tratamento é com reposição volêmica. Insulina venosa só após início da hidratação e correção dos eletrólitos, principalmente potássio. Instituir “imediatamente” pode ser perigoso.
  • C) O tratamento subcutâneo só é seguro após correção completa da CAD, jamais apenas pela correção da glicemia.
  • D) Apesar de concentrações séricas normais ou altas no início, as reservas totais de potássio estão diminuídas, devido à diurese osmótica e vômitos.
  • E) O diagnóstico de DM já se faz pelo contexto clínico e glicemia de emergência ≥ 200 mg/dL com sintomas. Não se aguarda nova coleta para iniciar manejo em situações como esta.

Dica de prova: Atenção a termos como “imediatamente”, “reservas aumentadas” e solicitações de confirmação diagnóstica inadequadas ao contexto de emergência.

Resumo: O manejo adequado da CAD prioriza hidratação vigorosa, correção eletrolítica e insulinoterapia venosa. Evita-se bicarbonato, salvo acidose extrema (pH <6,9).

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Comentários

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Diante do quadro apresentado, é possível diagnosticar um caso de cetoacidose diabética, uma complicação aguda do diabetes mellitus tipo 1. A alternativa correta é a B, que alerta para o potencial risco da reposição de bicarbonato, que pode prejudicar a função cardíaca, reduzir a oxigenação tecidual e promover hipocalemia. A primeira medida a ser tomada é a correção da hiperglicemia, que pode ser feita com insulina de ação rápida em infusão contínua. Em seguida, deve-se avaliar a reposição de líquidos e eletrólitos, inclusive o potássio, que pode estar diminuído. A confirmação do diagnóstico de diabetes mellitus pode ser feita por meio de uma nova dosagem de glicemia em outro momento.

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