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Q3653605 Medicina
Durante a avaliação com Doppler venoso do membro inferior de um paciente com queixa de dor e sensação de peso nas pernas, observou-se refluxo venoso na veia safena magna com duração de 1,5 segundos após compressão da panturrilha. Qual é a interpretação CORRETA desse achado?
Alternativas

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Tema central: interpretação do refluxo venoso no Doppler em doença venosa crônica. Refluxo é o fluxo retrógrado após manobras (compressão distal/Valsalva), medido em segundos. Critérios de referência: superficiais (safenas): > 0,5 s é patológico; profundos: > 1,0 s; perfurantes: ≈ 0,35–0,5 s. (Diretrizes SVS/AVF e ESVS 2022; UpToDate).

Alternativa correta: C – “Critério diagnóstico de insuficiência venosa; refluxo patológico, pois excede o tempo de referência.”

Justificativa: Refluxo na veia safena magna com 1,5 s após compressão da panturrilha excede claramente o limiar de > 0,5 s para veias superficiais. Isso caracteriza incompetência valvar e apoia o diagnóstico de doença venosa crônica, condizente com os sintomas (peso/dor). Evidência: Society for Vascular Surgery/American Venous Forum (SVS/AVF) e European Society for Vascular Surgery (ESVS 2022) definem esses pontos de corte; Harrison’s e UpToDate corroboram.

Análise das alternativas incorretas

A – “Refluxo fisiológico...” Incorreta. Refluxo fisiológico é curto, tipicamente ≤ 0,5 s nas veias superficiais. 1,5 s é prolongado e clinicamente relevante, associado a sintomas e varizes.

B – “Compatível com TVP aguda” Incorreta. TVP aguda é sugerida por não compressibilidade venosa, material ecogênico intraluminal e ausência de aumentos de fluxo à compressão, não por refluxo prolongado. Refluxo pode ocorrer no pós-trombótico, mas o achado descrito isola insuficiência, não TVP aguda.

D – “Achado inconclusivo; repetir em decúbito dorsal” Incorreta. O achado já é diagnóstico. Além disso, a avaliação de refluxo deve ser feita preferencialmente em ortostatismo ou Trendelenburg reverso, pois o decúbito reduz a sensibilidade para detectar refluxo (SVS/AVF, ESVS). Repetição só se houver limitação técnica.

Estratégia para prova

  • Grave os pontos de corte: safena/perfurantes > 0,5 s; profundas > 1,0 s.
  • Associe manobras: Valsalva (junção safeno-femoral); compressão distal (segmentos da perna).
  • Não confunda achados de refluxo com sinais de TVP (compressibilidade é a pedra angular).

Aplicação prática: Confirmado refluxo na safena magna, classifique pelo CEAP e considere manejo conforme sintomas/impacto: meias de compressão, medidas conservadoras e, quando indicado, ablação endovenosa ou cirurgia (ESVS 2022, UpToDate).

Referências rápidas: SVS/AVF Guidelines for Duplex Ultrasound in Chronic Venous Disease; ESVS 2022 Chronic Venous Disease; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: C.

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