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Q1730707 Português
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“(...) Sério, quieto, feito ele mesmo, só igual a ele mesmo nesta vida. Tinha notado minha ideia de fugir, tinha me rastreado, me encontrado. Não sorriu, não falou nada. Eu também não falei. O calor do dia abrandava. Naqueles olhos e tanto de Diadorim, o verde mudava sempre, como a água de todos os rios em seus lugares ensombrados. Aquele verde, arenoso, mas tão moço, tinha muita velhice, muita velhice, querendo me contar coisas que a ideia da gente não dá para se entender - e acho que é por isso que a gente morre. (...)”
João Guimarães Rosa, citação do livro “Grande Sertão: Veredas”. Nova Aguilar, 1994, p. 405
Em virtude do caráter experimental comum na linguagem adotada por Guimarães Rosa, muitas vezes ele, de forma proposital, foge aos padrões da gramática tradicional. Assinale a alternativa em que isso acontece no trecho lido:
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Tema central: A questão aborda variação linguística, desvios propositais à norma-padrão e análise de estratégias do autor para construir seu estilo literário. Conhecer a norma culta e identificar onde ela é propositalmente subvertida é habilidade essencial para questões desse perfil.

Justificativa da alternativa correta (A): “Que a ideia da gente não dá para se entender” é a alternativa em que Guimarães Rosa foge conscientemente à gramática normativa. No português-padrão, esta construção seria inadequada porque:

  • Regência do verbo “dar”: O verbo normalmente não se usa intransitivo nesse sentido. O correto, conforme Cunha & Cintra (2008), seria: “A ideia da gente não se pode entender” ou “A ideia da gente não permite ser entendida”.
  • Colocação pronominal: A estrutura “dá para se entender” repete oralidade e marca autoral, destoando da ordem tradicional: “pode ser entendida”.

Esses traços refletem o caráter experimental e a busca estilística de Rosa por simular a oralidade sertaneja, tornando a linguagem única, mas afastada das regras estritas da norma culta.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) “Sério, quieto, feito ele mesmo”: O uso de “feito” em vez de “como” representa variação regional, mas não constitui um erro gramatical formal.
  • C) “Tinha notado minha ideia de fugir”: Estrutura sintática correta conforme a norma-padrão (verbo transitivo direto + objeto direto: “minha ideia de fugir”).
  • D) “Aquele verde, arenoso, mas tão moço, tinha muita velhice, muita velhice”: Frase metafórica, mas sem desvio gramatical; há coesão e concordância adequadas.
  • E) “Acho que é por isso que a gente morre”: O uso de “a gente” como sujeito singular está correto na norma culta (Bechara, 2009).

Estratégias para a prova: Fique atento a construções que soem “estranhas” ou excessivamente orais, comparando sempre com a norma culta. Leia cuidadosamente procurando detalhes de regência, concordância e colocação pronominal, pois são alvos frequentes de questões.

Referências: BECHARA (2009); CUNHA & CINTRA (2008); ROCHA LIMA (2008).

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