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Q3258724 Medicina
Uma paciente gestante de 22 semanas, previamente hígida, que deu entrada com pressão arterial de 162x100 mmHg, edema e com relação albuminúria/creatinúria em amostra única de urina de 310 mg/g. Após alguns minutos de espera para ser atendida, evoluiu com crise troncoclônicas.

Considerando o caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico de entrada, o diagnóstico evolutivo e a conduta médica imediata.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Hipertensão na gestação com progressão para eclâmpsia. Após 20 semanas, hipertensão associada a proteinúria ou sinais de gravidade define pré-eclâmpsia. Convulsão tônico-clônica em gestante com pré-eclâmpsia caracteriza eclâmpsia.

Raciocínio diagnóstico: PA 162x100 mmHg é faixa grave (≥160/110). A relação albumina/creatinina de 310 mg/g equivale a proteinúria ≥300 mg/g, confirmando pré-eclâmpsia. A crise troncoclônica configura evolução para eclâmpsia. Edema é inespecífico e não é critério diagnóstico isolado.

Conduta imediata: Sulfato de magnésio é o fármaco de escolha para tratar e prevenir novas convulsões. Esquema usual: ataque 4–6 g IV em 20–30 min, seguido de manutenção 1–2 g/h IV (ou IM: 5 g em cada nádega, seguido de 5 g IM a cada 4 h). Monitorar reflexos, FR e diurese; antídoto: gluconato de cálcio 10% (10 mL IV). Associar controle pressórico (labetalol/hidralazina) e planejar interrupção da gestação após estabilização, conforme idade gestacional e condições materno-fetais. Diretrizes: OMS, ACOG Practice Bulletin 222, Ministério da Saúde (Gestação de Alto Risco).

Alternativa correta: D – Pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia, sulfato de magnésio.

Justificativa: O quadro inicial cumpre critérios de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥160/110 e proteinúria). A convulsão subsequente define eclâmpsia. A conduta imediata recomendada universalmente é sulfato de magnésio para controlar/prevenir crises (OMS/ACOG/Ministério da Saúde).

Por que as demais estão incorretas?

A) “Eclâmpsia, eclâmpsia grave e sulfato de magnésio”: o diagnóstico de entrada não é eclâmpsia, pois a convulsão ocorreu depois. Além disso, “eclâmpsia grave” não é termo técnico consagrado; a classificação de gravidade aplica-se à pré-eclâmpsia, não à eclâmpsia.

B) “Pré-eclâmpsia leve, eclâmpsia e sulfato de magnésio”: com PA 162x100, há gravidade. Logo, não se trata de forma leve.

C) “Eclâmpsia, eclâmpsia grave e diazepam”: erra o diagnóstico de entrada e indica fármaco inadequado. Diazepam não é de primeira linha na eclâmpsia por pior controle de recorrência e riscos respiratórios; reservar apenas se o magnésio estiver indisponível ou em crises refratárias, conforme OMS/ACOG.

Dica de prova: Fixe três chaves: (1) ≥20 semanas + PA ≥140/90 com proteinúria ou dano orgânico = pré-eclâmpsia; (2) PA ≥160/110 = gravidade; (3) convulsão = eclâmpsia e o antiepiléptico de escolha é sempre sulfato de magnésio.

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