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Q4151649 Medicina
Uma menina de 8 anos é levado ao pronto-socorro apresentando inchaço proeminente ao redor dos olhos e nas pernas, que começou há 4 dias. A mãe relata que a urina do filha está escassa e com coloração escura, semelhante à "cor de Coca-Cola". Na anamnese, ela recorda que a paciente teve uma infecção de pele (impetigo) tratada há cerca de 3 semanas. Ao exame físico, o médico constata edema facial e de membros inferiores (+2/+4) e uma pressão arterial de 135x90 mmHg (acima do percentil 95 para a idade). Os exames laboratoriais iniciais revelam hematúria macroscópica com presença de hemácias dismórficas no EAS e função renal leve. Considerando o diagnóstico mais provável para este quadro clínico, assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O caso descreve síndrome nefrítica aguda pós-estreptocócica, e o achado laboratorial clássico que decide a alternativa é a queda transitória de C3, com normalização habitual em 6 a 8 semanas.

Tema central: GN pós-estreptocócica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a conduta inicial habitual na glomerulonefrite pós-estreptocócica é de suporte, com manejo de retenção hidrossalina, hipertensão e monitorização da função renal. Pulsoterapia com corticoide não é tratamento inicial de rotina desse quadro.
B
Certa
A alternativa B traz o perfil laboratorial típico da glomerulonefrite pós-estreptocócica. Em uma criança com edema, hipertensão, oligúria, urina escura tipo cola, hematúria glomerular e antecedente de impetigo há cerca de 3 semanas, o diagnóstico mais provável é síndrome nefrítica aguda pós-infecciosa estreptocócica. Nessa condição, ocorre consumo de complemento, sobretudo com redução de C3, que costuma normalizar em 6 a 8 semanas.
C
Errada
Está errada porque atribui edema e hipertensão ao mecanismo da síndrome nefrótica. Neste caso, o mecanismo predominante é retenção de sódio e água por redução da filtração glomerular, típica da síndrome nefrítica. Proteinúria maciça com queda da pressão oncótica é característica de síndrome nefrótica, não do quadro descrito.
D
Errada
Está errada porque o intervalo de cerca de 3 semanas após impetigo é justamente compatível com etiologia estreptocócica. Na glomerulonefrite pós-estreptocócica, a latência após infecção cutânea costuma ser de 2 a 6 semanas, e não de 1 a 3 dias.
E
Errada
Está errada porque hemácias dismórficas e cilindros hemáticos indicam origem glomerular do sangramento. Sangramento do trato urinário inferior costuma cursar com hemácias isomórficas e ausência de cilindros hemáticos.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre síndrome nefrítica e síndrome nefrótica: há edema importante, mas os dados decisivos são hematúria glomerular, oligúria, hipertensão e antecedente de impetigo com latência típica, o que aponta para glomerulonefrite pós-estreptocócica e não para proteinúria nefrótica maciça.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver urina tipo cola, hemácias dismórficas, edema, hipertensão e oligúria, pense primeiro em síndrome nefrítica aguda.
  • Após impetigo com latência de 2 a 6 semanas, associe o quadro à glomerulonefrite pós-estreptocócica.
  • Em glomerulonefrite pós-estreptocócica, o dado laboratorial clássico é C3 baixo transitório, com normalização em cerca de 6 a 8 semanas.
  • Para diferenciar nefrítica de nefrótica, use o mecanismo do edema: retenção hidrossalina na nefrítica versus perda proteica maciça na nefrótica.

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