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Q3367725 Medicina
Paciente do sexo feminino, de 49 anos de idade, relata histórico familiar de câncer de mama e de ovário (a mãe faleceu por câncer de ovário aos 53 anos de idade, e a irmã teve o diagnóstico de câncer de mama, triplo negativo, aos 35 anos, vindo a falecer da doença aos 38 anos). Realizou aconselhamento genético, e foi confirmada mutação patogênica em BRCA1. A paciente realizou exames de imagem (tomografia computadorizada de tórax e ressonância magnética de abdome total), que foram considerados normais, e optou por salpingo-oforectomia bilateral e adenomastectomia bilateral para redução de risco. Não havia evidência de neoplasia no tecido mamário ressecado. As tubas uterinas e o ovário direito estavam livres de neoplasia e, no ovário esquerdo, foi evidenciado um carcinoma seroso de alto grau de 2 cm, com ausência de comprometimento ou ruptura da superfície ovariana.

Nesse caso, indica(m)-se
Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda câncer de ovário inicial diagnosticado incidentalmente em paciente portadora de BRCA1, esclarecendo condutas após cirurgia profilática e achado de carcinoma seroso de alto grau em estágio inicial.

Justificativa da alternativa correta (A):
A paciente foi submetida a salpingo-oforectomia bilateral e a peça revelou carcinoma seroso de alto grau (tumor <2 cm, sem invasão superficial), compatível com estágio IA da FIGO. Em tumores epiteliais iniciais, principalmente de alto grau, mesmo na ausência de doença extraovariana, a conduta recomendada é o tratamento cirúrgico seguido de quimioterapia adjuvante baseada em platina por 3 a 6 ciclos (DDT Neoplasia Maligna Epitelial de Ovário/MS 2019; SBOC 2023).

Estratégia de leitura: O ponto-chave é a ausência de doença extraovariana (imagens normais, citologia negativa), limitando condutas a adjuvância clássica (cirurgia + quimioterapia à base de platina), sem indicação de terapias novas de manutenção nesse estágio.

Análise das alternativas incorretas:

B) Remove apenas o omento e faz lavado, mas não cita salpingo-ooforectomia completa, o que é padrão na cirurgia inicial/oncológica (conduta incompleta).

C) Indica inibidor de PARP (olaparibe/niraparibe), mas, apenas estágios avançados ou recidivados têm recomendação para manutenção. Não há respaldo em FIGO I, mesmo com BRCA1, neste cenário (erro conceitual).

D) Indica inibidor de PARP sem quimioterapia adjuvante, o que é incorreto. O padrão é iniciar sempre com platinas em tumores de alto grau iniciais.

E) Apesar de somar quimioterapia baseada em platina, não está indicada manutenção com PARP na doença inicial e sem fatores de alto risco adicionais, mesmo para mutação BRCA.

Referências e evidências:
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas/MS, p. 36: “Quimioterapia adjuvante à base de platina está indicada para carcinomas de alto grau, mesmo em doença confinada ao ovário”. SBOC conclui igual, e uso de PARP só para doença avançada.

Dica de prova: Perceba que alternativas com inibidor de PARP podem confundir, mas somente são cabíveis para estágios III/IV ou recidiva – pegue esse detalhe!

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