Leia o poema e responda a seguir.O sentido normal das palavr...
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema. Há que se dar um gosto incasto aos termos. Haver com eles um relacionamento voluptuoso. Talvez corrompê-los até a quimera. Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los. Não existir mais rei nem regências. Uma certa liberdade com a luxúria convém.
(Manoel de Barros. Retrato quase apagado em que se pode ver perfeitamente nada, VII, Poesia completa. São Paulo, Leya, 2010, p. 265)
Para o porta, a
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Comentário do Gabarito – Interpretação de Texto: Liberdade Poética e Subversão Gramatical
Tema central da questão: O foco está na interpretação de texto poético, especificamente na compreensão do conceito de liberdade poética e da subversão das regras gramaticais, marcas do estilo de Manoel de Barros.
O poema deixa claro que o autor defende o uso da linguagem para além do sentido comum das palavras (“O sentido normal das palavras não faz bem ao poema” e “corrompê-los até a quimera”), além de preconizar um trato criativo, até irreverente com os elementos linguísticos. A ideia de “não existir mais rei nem regências” sugere justamente o abandono dos limites impostos pelas normas tradicionais e a busca de uma liberdade estrutural.
Justificativa para a alternativa D (correta):
A alternativa D) “linguagem usada no poema deve subverter as convenções gramaticais” está correta porque
o próprio texto estimula o rompimento com a norma-padrão. Em termos gramaticais, isso significa um abuso consciente dos padrões de sintaxe e morfologia, como é característico do neologismo e da inversão sintática, marcantes na obra de Manoel de Barros. Celso Cunha & Lindley Cintra ressaltam que, na literatura, a transgressão das regras gramaticais pode constituir recurso legítimo de expressão.
Por que as demais alternativas estão erradas?
A) Sugere ingenuidade nas ações, o que não está presente: o poema busca transgressão e intensidade, não inocência.
B) Restringe o tema à relação amorosa, o que é falso: Barros aborda múltiplos temas, indo além do amor.
C) Diz que “lubricidade está no plano das ideias”, porém o texto estimula o leitor para além disso, inclusive ao sugerir “corromper palavras”.
E) Afirma que liberdade deve “isentar-se de irracionalidade”, mas para o autor, há espaço para o irracional/criativo como ruptura necessária.
Estratégia para questões semelhantes: Sempre observe expressões que denotem quebra de padrões, negação de regras e liberdade criativa. Palavras como “subverter”, “corromper”, “luxúria”, “liberdade” indicam o rompimento com normas, bastante comum na linguagem literária.
Conclusão: A alternativa D representa a essência da linguagem poética de Manoel de Barros, marcada por invenções, ousadia e liberdade na forma de expressão.
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Assertiva d
linguagem usada no poema deve subverter as convenções gramaticais.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los. Não existir mais rei nem regências. Uma certa liberdade com a luxúria convém.
linguagem usada no poema deve subverter as convenções gramaticais.
subverter = se rebelar contra, dizer o contrato, se opor.
É exatamente isso que diz no texto no trecho: "O sentido normal das palavras não faz bem ao poema."
Ou seja, as palavras usadas no poema devem ser diferentes das convenções gramaticais.
GAB D
Não usem drogas !
Confundi subverter com submeter,
subVerter: atacar as ordens, se rebelar ...
subMeter: acatar as ordens, se render ...
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