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Q3367709 Medicina
Paciente de 52 anos de idade está em tratamento para câncer de endométrio localmente avançado, com dostarlimabe. Apresenta quadro de tontura, náuseas, anorexia, fadiga, hipotensão e episódios de confusão mental. Os sintomas se instalaram no último mês e vêm piorando progressivamente. A paciente apresenta-se no serviço de emergência com quadro de pneumonia e piora dos sintomas gerais nas últimas 24 horas. Exames de laboratório colhidos às 7h da manhã mostram: ACTH: 4 pg/dL (normal: 7–63); cortisol: 3 mcg/dL (normal: 5–22); TSH: 0,5 mUI/L (normal: 0,4–4); sódio sérico de 122 mg/dL.
A hipótese diagnóstica mais provável e a conduta adequada são, respectivamente:
Alternativas

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Tema central: A questão enfoca endocrinopatias induzidas por imunoterapia – mais especificamente, hipofisite por inibidor de checkpoint imune (dostarlimabe) em paciente oncológica.

Justificativa da alternativa correta (A):
Os sinais e sintomas (tontura, náuseas, anorexia, fadiga, hipotensão, confusão mental progressiva) associados à hiponatremia (Na+: 122 mEq/L), ACTH baixo e cortisol matinal reduzido, em contexto de tratamento oncológico com dostarlimabe, apontam para insuficiência adrenal secundária por hipofisite. Do ponto de vista fisiopatológico, a hipofisite – inflamação da hipófise frequentemente induzida por imunoterapia – compromete secreções hormonais, principalmente ACTH, culminando em quadro de hipocortisolismo (insuficiência adrenal secundária).

Segundo as diretrizes brasileiras para eventos adversos imuno-relacionados (INCA, 2022) e o Projeto Diretrizes AMB/CFM:
“O tratamento recomendado é a reposição hormonal imediata, com hidrocortisona 100 mg intravenosa em bolus, seguida de 50 mg a cada 8 horas em casos agudos e sintomáticos – exatamente o recomendado na alternativa A.

Análise das alternativas incorretas:

B) Hipotireoidismo; levotiroxina: O TSH encontra-se apenas discretamente reduzido e não há sintomas clássicos de hipotireoidismo. A conduta com levotiroxina seria inadequada, pois pode agravar quadro de insuficiência adrenal não tratada, levando a crise adrenal potencialmente fatal.

C) Hidrocortisona VO: Doses orais (20/10 mg) são indicadas para manutenção em estabilidade. Na emergência, uso EV em altas doses é preconizado para rápida reposição.

D) Hipertireoidismo; tiamazol: Não há dados clínicos, laboratoriais ou fisiopatológicos que indiquem hipertireoidismo; tiamazol não se justifica.

E) SIADH; solução hipertônica: Apesar da hiponatremia, não há indicação de SIADH. O diagnóstico é sustentado pela insuficiência adrenal, não secreção inapropriada de ADH.

Pegadinha da questão: A hipoatividade tireoidiana pode ocorrer na hipofisite, mas o quadro clínico, laboratoriais e contexto imunoterápico são mais compatíveis com insuficiência adrenal aguda. Em emergências, repõe-se corticoide antes de levotiroxina.

Dica para provas: Diante de paciente oncológico em imunoterapia + sintomas sistêmicos + hiponatremia + cortisol baixo, pense em hipofisite com insuficiência adrenal secundária! Sempre priorize reposição parenteral de corticoide em situações agudas.

Finalizando: O manejo correto é hidrocortisona EV em altas doses para estabilização clínica, conforme diretrizes nacionais e internacionais.
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