Paciente do sexo feminino, 44 anos, sem comorbidades prévias...

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Ano: 2022 Banca: UFV Órgão: UFV-MG Prova: UFV - 2022 - UFV-MG - Médico Clínico |
Q1932021 Medicina
Paciente do sexo feminino, 44 anos, sem comorbidades prévias, foi admitida no pronto-socorro com queixa de dispneia aos mínimos esforços, iniciada há 05 horas, e dor torácica ventilatório-dependente à esquerda. No atendimento inicial apresentava agitação psicomotora, FR 32irpm, FC 130bpm, PA 116/70mmHg, SpO2 88%, ausculta respiratória normal, ausculta cardíaca com hiperfonese de B2. Radiografia de tórax não evidenciou alterações. Eletrocardiograma apresentou frequência cardíaca de 132 batimentos por minuto, onda S em D1, onda Q em D3 e onda T invertida em D3.
Assinale a afirmativa CORRETA sobre esse caso:
Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda o diagnóstico e conduta inicial diante de um quadro de embolia pulmonar aguda (EP), afeção vascular grave e relativamente prevalente na prática clínica de pronto-socorro. O reconhecimento rápido e o manejo inicial correto impactam diretamente no prognóstico.

Justificativa da alternativa correta (B):

A paciente apresenta combinação de sintomas e sinais que sugerem fortemente Embolia Pulmonar Aguda: início súbito de dispneia, taquipneia (FR 32), taquicardia (FC 130), dessaturação (SpO2 88%), dor torácica ventilatório-dependente e o achado eletrocardiográfico clássico do padrão S1Q3T3. Estes elementos juntos, especialmente em uma mulher jovem e sem cardiopatia conhecida, são altamente sugestivos de EP.

Segundo as Diretrizes Brasileiras para o Tratamento Farmacológico do Tromboembolismo Pulmonar: “Nos pacientes com forte suspeita de EP, recomenda-se tratamento com anticoagulantes enquanto se espera os resultados de testes diagnósticos.” Portanto, a conduta correta inclui iniciar heparina e solicitar angiotomografia de tórax para confirmação.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta. Apesar da dor torácica, o padrão eletrocardiográfico não é típico de Síndrome Coronariana Aguda (SCA), mas sim de EP. Terapia de reperfusão (como trombólise ou angioplastia) está indicada para SCA ou EP de alto risco - não é o quadro da paciente.

C) Incorreta. Sintomas psiquiátricos só podem ser aventados após exclusão rigorosa de causas orgânicas graves. A paciente possui sinais objetivos (hipoxemia, taquicardia, padrão S1Q3T3), não compatíveis com crise conversiva.

D) Incorreta. Marcadores de necrose miocárdica e ECG sequencial são úteis no diagnóstico de SCA, porém sua utilidade é limitada na EP e podem retardar o manejo correto. O exame ideal para EP é a angiotomografia do tórax.

Dica de prova: Fique atento a pegadinhas de diagnóstico diferencial! Sintomas como dispneia súbita, dessaturação e dor torácica ventilatório-dependente devem sempre despertar suspeita de EP, sobretudo diante do S1Q3T3 no ECG.

Segundo o UpToDate e o Harrison’s, essa estratégia é universalmente recomendada para EP suspeita em pacientes estáveis, prevenindo complicações enquanto aguarda exame confirmatório.

Resumo prático: Suspeitou de EP com quadro agudo, hipoxemia e S1Q3T3? Anticoagular imediatamente e solicitar angiotomografia!

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Comentários

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O caso descrito apresenta sinais e sintomas sugestivos de uma possível embolia pulmonar, como a dispneia aos mínimos esforços, dor torácica ventilatório-dependente à esquerda e a saturação de oxigênio baixa (88%). O eletrocardiograma também apresenta alterações compatíveis com a condição, como a presença de onda S em D1, onda Q em D3 e onda T invertida em D3. Dessa forma, a alternativa correta é a B - deve ser iniciada heparina em dose anticoagulante e a paciente deve ser encaminhada para angiotomografia de tórax, para confirmar ou descartar a hipótese diagnóstica de embolia pulmonar. É importante realizar o diagnóstico diferencial com outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como a síndrome coronariana aguda, e dosar os marcadores de necrose miocárdica e realizar o eletrocardiograma seriado caso haja suspeita.

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