O texto explora uma relação de oposição entre

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Q39590 Português
O andar do bêbado

Nadar contra a corrente da intuição é uma tarefa difícil.
Como se sabe, a mente humana foi construída para identificar
uma causa definida para cada acontecimento, podendo por isso
ter bastante dificuldade em aceitar a influência de fatores
aleatórios (*) ou não diretamente relacionáveis a um fenômeno.
Portanto, o primeiro passo em nossa investigação sobre o papel
do acaso em nossas vida é percebermos que o êxito ou o
fracasso podem não surgir de uma grande habilidade ou grande
incompetência, e sim, como escreveu o economista Armen
Alchian, de "circunstâncias fortuitas". Os processos aleatórios
são fundamentais na natureza, e onipresentes em nossa vida
cotidiana; ainda assim, a maioria das pessoas não os
compreende nem pensa muito a seu respeito.
O título deste livro - O andar do bêbado - vem de uma
analogia que descreve o movimento aleatório, como os trajetos
seguidos por moléculas ao flutuarem no espaço, chocando-se
incessantemente com suas moléculas irmãs. Isso pode servir
como uma metáfora para a nossa vida, nosso caminho da
faculdade para a carreira profissional, da vida de solteiro para a
familiar, do primeiro ao último buraco de um campo de golfe. A
surpresa é que também podemos empregar as ferramentas
usadas na compreensão do andar do bêbado para entendermos
os acontecimentos da nossa vida diária.
O objetivo deste livro é ilustrar o papel do acaso no
mundo que nos cerca e mostrar de que modo podemos
reconhecer sua atuação nas questões humanas. Espero que
depois desta viagem pelo mundo da aleatoriedade, você, leitor,
comece a ver a vida por um ângulo diferente, menos
determinista, com uma compreensão mais profunda dos
fenômenos cotidianos.

(*) aleatório: que depende das circunstâncias, do acaso;
fortuito, contingente. (Houaiss)

(Do prólogo de Leonar Mlodinow para seu livro O andar do
bêbado)

O texto explora uma relação de oposição entre
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a oposição semântica central do texto entre a busca por “uma causa definida para cada acontecimento” e a aceitação da “influência de fatores aleatórios”, culminando na perspectiva “menos determinista”. Essa contraposição, explicitada no texto-base, sustenta a alternativa A.

Tema central: oposição entre causalidade e acaso
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A traduz com fidelidade a estrutura argumentativa do texto. O autor contrapõe a tendência de buscar “uma causa definida para cada acontecimento” ao reconhecimento de “fatores aleatórios”, do “acaso” e de “circunstâncias fortuitas”. No fechamento, reforça essa mesma direção ao propor uma visão “menos determinista”. Portanto, a oposição central é entre determinismo causal e princípio da aleatoriedade.
B
Errada
Está errada porque o texto não opõe “circunstância fortuita” a “fenômenos naturais”. Ao contrário, afirma que “Os processos aleatórios são fundamentais na natureza”, isto é, aproxima aleatoriedade e natureza. A relação entre esses termos é de inclusão e aplicação, não de oposição.
C
Errada
Está errada porque “o andar do bêbado” e “os entrechoques moleculares” aparecem ligados por analogia, não por contraste. O texto afirma explicitamente que o título “vem de uma analogia que descreve o movimento aleatório”, de modo que um elemento serve para explicar o outro.
D
Errada
Está errada porque “uma trajetória profissional” e “uma partida de golfe” integram uma enumeração de exemplos de aspectos da vida aos quais a metáfora da aleatoriedade pode ser aplicada. Não há entre eles qualquer relação opositiva construída pelo texto.
E
Errada
Está errada porque “o reconhecimento da aleatoriedade” e “o papel do acaso” não são polos contrários; são formulações convergentes do mesmo eixo semântico. No texto, reconhecer a aleatoriedade é justamente admitir a atuação do acaso nas questões humanas.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre oposição real e mera associação textual: várias alternativas trazem pares mencionados no texto, mas só a letra A apresenta o contraste argumentativo central; as demais são analogias, exemplos paralelos ou expressões semanticamente convergentes.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando pedir oposição, procure o contraste que organiza a tese do texto, não apenas dois elementos citados nele.
  • Observe o campo lexical repetido: aqui, “causa definida”, “determinista” de um lado e “fatores aleatórios”, “acaso”, “circunstâncias fortuitas” de outro.
  • Não transforme analogia ou exemplificação em oposição: elementos ligados por metáfora, enumeração ou reforço semântico não formam contraste.
  • Aceite paráfrases fiéis da ideia central mesmo que a expressão da alternativa não repita literalmente o texto.

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