A partir do trecho: "Levanto cedo, faço minhas abluções, po...
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Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação de Texto — Inferência de informações implícitas e análise semântica. O objetivo é perceber sentidos que não estão literalmente explicitados, mas podem ser deduzidos pelo contexto, competência fundamental em provas de concursos na área jurídica.
Análise da alternativa correta:
B) As pessoas não se importam com quem faz o pão, mas apenas ao fato de tê-lo à mão.
A alternativa B destaca o sentido implícito fundamental na crônica de Rubem Braga. O narrador relata a ausência do pão na porta, levando o leitor a refletir, posteriormente, sobre a invisibilidade social do padeiro. O trecho em que o padeiro anuncia “Não é ninguém, é o padeiro!” e o diálogo com a empregada revelam exatamente isso: a sociedade valoriza o produto (ter o pão), mas não reconhece a importância de quem o faz. Esse tipo de inferência pertence ao campo da análise semântica e da leitura implícita, enfatizadas em gramáticas como Bechara e no Manual de Redação da Presidência da República (coerência textual).
Justificativas das alternativas incorretas:
A) “As atividades rotineiras são relevantes para a maioria das pessoas.”
Embora haja referência à rotina, essa interpretação é muito genérica e não corresponde à crítica central do texto, que é o anonimato do trabalhador.
C) “O narrador expõe seu sentimento de solidão...”
O texto não explora sentimentos de solidão, mas sim de reconhecimento pelo padeiro, mostrando até afeto e empatia pelo personagem.
D) “O narrador não sabe lidar com os imprevistos...”
Não há sinais de desespero ou incapacidade; ao contrário, ele aceita o ocorrido e aproveita para refletir. Ou seja, não há demonstração de descontrole diante da mudança.
E) “O narrador se dá conta que tomar café com pão dormido é algo desagradável.”
O narrador diz: “não é tão ruim assim”, negando explicitamente essa alternativa.
Orientação de leitura para concursos:
Fique atento a frases que evidenciam relações sociais e papéis invisíveis. Muitas crônicas usam situações rotineiras para criticar comportamentos coletivos. Não se precipite valorizando apenas o que está literal—muitas vezes, a resposta está no que está por trás das palavras.
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Comentários
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A banca pede um inferência a partir de um trecho transcrito em seu enunciado Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento - mas não encontro o pão costumeiro. O gabarito tido como correto é As pessoas não se importam com quem faz o pão, mas apenas ao fato de tê-lo à mão. No entanto, não é possível inferir isso a partir do trecho do enunciado sem se valer do texto em sua integralidade. Ou seja, o inferência de que as pessoas não se importam com que faz o pão está fora do trecho transcrito no enunciado que somente narra as ações da personagem sem qualquer juízo de valor em relação a outras pessoas. Questão mal formulada.
"mas não encontro o pão costumeiro" Obviamente infere, somente neste trecho, que as pessoas não se importam com quem faz o pão, se algo aconteceu com quem levava o pão e sim só a falta do alimento que importa!
"Não encontro o pão costumeiro". Ou seja, nesse contexto, o pão é mais importante do que a pessoa que o fez.
A banca foi muito sorrateira aqui , ao meu entender seria impossivel se chegar a essa conclusão complexa lendo apenas esse trecho dado, como o enunciado quer indicar....
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