Mulher, 66 anos de idade, com diagnóstico de distrofia endo...

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Q4238623 Medicina
Mulher, 66 anos de idade, com diagnóstico de distrofia endotelial de Fuchs, apresenta queixa de visão borrada matinal há 3 anos. 

• Primeira avaliação:
- AV corrigida: 20/30 (OD), 20/40 (OE)
- Biomicroscopia: guttae centrais, sem edema estromal periférico.
- Endotélio periférico preservado, densidade celular periférica: 2.100 células/mm2.
- CCT (espessura corneana central): 570 μm.
- Conduta adotada: tratamento clínico + observação.

• Avaliação após 18 meses:
- AV corrigida: 20/60 (OD), 20/100 (OE)
- Edema corneano central persistente.
- Densidade celular periférica: 1.800 células/mm2.
- CCT: 650 μm (OE), 610 μm (OD).
- Edema estromal periférico discreto em OE.

Considerando a evolução do quadro e as opções cirúrgicas disponíveis, qual é a conduta mais apropriada para o olho esquerdo neste momento? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O achado decisivo é Fuchs com edema predominantemente central, guttae centrais e endotélio periférico ainda funcional/preservado, cenário em que a remoção seletiva da Descemet central doente (DWEK/DSO) pode permitir migração/repopulação periférica para a área central. O gabarito oficial se sustenta pela lógica fisiopatológica de doença central com reserva periférica ainda presente.

Tema central: Cirurgia na distrofia de Fuchs
Análise das alternativas
A
Errada
DMEK é uma opção geral de ceratoplastia endotelial para Fuchs, mas o erro da alternativa está no critério de indicação apresentado. O enunciado destaca reserva periférica funcional, e isso favorece uma técnica sem enxerto central, não a substituição obrigatória de todo o endotélio/Descemet. O discreto edema periférico no OE, isoladamente, não prova necessidade de enxerto endotelial.
B
Errada
DSAEK também é transplante endotelial, com adição de estroma posterior doador, mas a persistência de edema central não define por si só falência difusa que imponha essa técnica. A alternativa erra ao tratar o edema central como indicação automática de enxerto com estroma, quando a questão valoriza justamente a possibilidade de repopulação central por endotélio periférico ainda viável.
C
Errada
Transplante penetrante não é a melhor conduta porque não há descrição de cicatriz corneana de espessura total, opacidade estromal densa ou impossibilidade real de técnicas lamelares posteriores. Além disso, a alternativa introduz um dado não fornecido no caso, 'ceratometria elevada', o que invalida sua justificativa com base no próprio enunciado.
D
Certa
A alternativa D está correta porque a questão foi construída sobre o princípio fisiopatológico da DWEK/DSO: na distrofia de Fuchs, o comprometimento costuma predominar centralmente, e quando o endotélio periférico permanece funcional, a retirada seletiva da Descemet/endotélio centrais doentes pode permitir migração e repopulação celular a partir da periferia, com recuperação da bomba endotelial central. No caso, há piora visual e edema central persistente, mas ainda existe reserva periférica descrita no enunciado, o que sustenta essa escolha dentro da lógica pedida pela banca.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de marcar DMEK ou DSAEK diante de piora visual e aumento da espessura corneana; o detalhe que muda a resposta é que o caso mantém endotélio periférico funcional, o que direciona para DWEK/DSO. Outra pegadinha real é a alternativa do transplante penetrante usar um dado inexistente no enunciado.
Dica para questões semelhantes
  • Em Fuchs, primeiro localize a distribuição da doença: se o enunciado enfatiza acometimento central com periferia funcional, pense no racional da DWEK/DSO.
  • Não trate edema corneano progressivo como indicação automática de DMEK ou DSAEK; confirme se a questão está valorizando reserva endotelial periférica.
  • Exclua transplante penetrante quando a doença é predominantemente endotelial e o caso não traz comprometimento corneano de espessura total nem contraindicação às técnicas posteriores.

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