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Q3368414 Medicina
Um paciente idoso com múltiplas comorbidades é diagnosticado com Covid-19. Considerando a fisiopatologia do envelhecimento e sua influência na resposta à infecção pelo SARS-CoV-2, qual das seguintes opções descreve melhor o conjunto de fatores que contribuem para o aumento do risco de desenvolver uma forma grave da doença nessa população?
Alternativas

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Tema central: Fisiopatologia do envelhecimento na Covid-19. Em idosos, a combinação de imunossenescência (declínio quantitativo e funcional da imunidade) e inflamação crônica de baixo grau (“inflammaging”) aumenta o risco de evolução para formas graves.

Gabarito: D

Justificativa da alternativa correta (D): Idosos apresentam redução de linfócitos T e B ingênuos, menor resposta de type I interferon e pior função de células NK/fagócitos, o que favorece replicação viral inicial. Paralelamente, há inflammaging (elevação basal de IL‑6, TNF‑α, PCR) e comorbidades (DM, DRC, obesidade, cardiopatia) que amplificam a desregulação inflamatória, a endotelite e a coagulopatia, culminando em lesão alveolar difusa e SDRA. Esse conjunto explica a maior gravidade em idosos. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Risk factors for severe COVID‑19); OMS/NIH sobre fatores de risco e patogênese.

Análise das alternativas incorretas

A) Afirma “aumento” da capacidade citotóxica de linfócitos T e “menor” produção de citocinas pró-inflamatórias. No envelhecimento ocorre o oposto: queda da citotoxicidade T/NK e aumento de marcadores inflamatórios basais. A resposta ao SARS‑CoV‑2 é tipicamente de interferon tardio seguido de hiper-inflamação, não hipo-inflamação sustentada.

B) Sugere “predominância T regulatória altamente eficaz” causando dano via disfunção endotelial. Embora haja disfunção endotelial em idosos, excesso de Treg eficaz não é o mecanismo central descrito na gravidade da Covid-19; o problema é imunossenescência com controle antiviral deficiente e hiper-inflamação, não uma regulação imune exagerada.

C) Propõe hiperativação de IgE e degranulação de mastócitos como eixo principal. A imunopatologia da Covid‑19 é não IgE-mediada; envolve imunidade inata/adaptativa (IFN, IL‑6, TNF‑α), endotelite trombogênica e coagulopatia. Degranulação mastocitária por IgE específica não é mecanismo aceito para gravidade em idosos.

Estratégia para a prova: Diante de “idoso com comorbidades”, busque palavras‑chave como imunossenescência, inflammaging e estado pró-inflamatório. Desconfie de alternativas que citem mecanismos atípicos (p.ex., IgE) ou que invertam padrões do envelhecimento (p.ex., “aumento da citotoxicidade T”).

Aplicação clínica: Esse entendimento embasa condutas como vigilância precoce de hipóxia, uso criterioso de corticosteroides em formas graves, e manejo de comorbidades, conforme OMS/NIH/Ministério da Saúde.

Referências essenciais: Harrison’s (ed. atual); UpToDate: Pathogenesis and risk factors of severe COVID‑19; Diretrizes OMS/NIH para manejo da Covid‑19.

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