Para Antunes (2018), existe uma nova morfologia da classe
trabalhadora no século XXI, que compreende o operariado
herdeiro das eras taylorista e fordista – o qual está em relativo
processo de encolhimento especialmente nos países centrais do
capitalismo mundial – e os novos proletários precarizados de
serviços, parte integrante e crescente da “classe-que-vive-dotrabalho”. Trabalhadores e trabalhadoras que com frequência
oscilam entre a heterogeneidade em sua forma de ser de gênero,
de etnia, de geração, de qualificação, de nacionalidade e a
homogeneização que resulta da condição crescentemente pautada
pela precarização. Uma classe trabalhadora, em síntese, que é
segmentada, mas que, cada vez mais, se encontra desprovida de
direitos do trabalho e de regulamentação contratual.
ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era
digital. São Paulo: Boitempo, 2018.