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Q3953513 Libras
Em discussões contemporâneas sobre ensino de línguas adicionais, “quadros comuns de referência” (como o elaborado na Europa para línguas modernas) têm sido tomados como instrumentos para descrever níveis de proficiência, orientar currículos e apoiar processos avaliativos. No campo da Linguística Aplicada voltada ao ensino de Libras como segunda língua, a construção desse tipo de instrumento teve e tem seu impacto.
Nesse contexto, dadas as afirmativas,
I. A perspectiva orientada para a ação dos “quadros comuns de referência”, ao descrever o que o usuário de línguas “é capaz de fazer” em diferentes domínios de uso, pode ser apropriada pela Linguística Aplicada para o ensino de Libras, desde que os descritores sejam reinterpretados à luz das práticas visuais-espaciais e dos gêneros e contextos discursivos próprios das comunidades surdas.
II. A crítica da Linguística Aplicada à padronização universal da proficiência linguística implica que quadros de referência como o Quadro Comum Europeu de Referência para Línguas (QCER/CEFR) são, em essência, incompatíveis com o ensino de Libras como L2, pois esvaziam as especificidades culturais e identitárias das línguas de sinais, em favor de um modelo homogêneo de competência.
III. A ampliação do CEFR, em documentos como o Companion Volume, ao incorporar descritores de mediação, competências plurilíngues e pluriculturais, abre espaço teórico para que pesquisas em Linguística Aplicada discutam o ensino de Libras em currículos bilíngues, articulando diferentes repertórios linguísticos e modos de significação.
IV. Uma leitura aplicada ao ensino de Libras, coerente com a LA crítica, tende a conceber o CEFR menos como lista fixa de níveis a ser reproduzida e mais como metalinguagem negociável para formular descritores locais, inclusive para avaliação de desempenho em tarefas de interpretação, de mediação intermodal e de atuação em contextos educacionais específicos.
verifica-se que está/ão correta/s 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A decisão dependia de distinguir se as assertivas tratavam o CEFR/QCER como instrumento adaptável à Libras ou como algo incompatível em essência com essa L2; como I, III e IV admitem apropriação situada e II formula rejeição absoluta, o gabarito é D.

Tema central: CEFR e Libras L2
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque limita a correção à III e exclui I e IV. Pela base, tanto I quanto IV são compatíveis com o uso crítico e contextualizado do CEFR no ensino de Libras, portanto III não pode ser a única correta.
B
Errada
Está errada porque inclui II. O erro específico de II é afirmar incompatibilidade essencial entre quadros de referência como o CEFR e o ensino de Libras como L2, quando a base afirma que a crítica à padronização universal não implica rejeição absoluta do instrumento.
C
Errada
Está errada pelo mesmo defeito central: inclui II, que é a assertiva incorreta. Além disso, exclui I e III, embora ambas sejam sustentáveis dentro da ideia de apropriação situada e ampliação conceitual do quadro de referência.
D
Certa
A alternativa D está certa porque reúne exatamente as assertivas compatíveis com uma leitura crítica e não essencialista dos quadros comuns de referência no ensino de Libras como L2. A assertiva I se sustenta pela perspectiva orientada para a ação, que pode ser reinterpretada para práticas visuais-espaciais e contextos discursivos próprios. A III se sustenta porque a ampliação conceitual do Companion Volume, com mediação e competências plurilíngues/pluriculturais, abre espaço para discutir currículos bilíngues e repertórios múltiplos. A IV também é compatível com essa abordagem, ao tratar o CEFR como metalinguagem negociável para formular descritores locais e finalidades avaliativas específicas. O ponto técnico é que a Linguística Aplicada crítica não exige rejeição do instrumento, mas sua adaptação, ressignificação e localização.
E
Errada
Está errada porque considera II correta junto com as demais. Como II exagera ao dizer que esses quadros são, em essência, incompatíveis com o ensino de Libras como L2, não é possível afirmar que todas as assertivas estejam corretas.
Pegadinha da questão
A confusão real era tomar a crítica à universalização e à padronização como se ela obrigasse a rejeitar por completo o CEFR/QCER, quando a base sustenta apropriação crítica, adaptada e local.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão opuser crítica teórica e uso de instrumento, verifique se a crítica leva a adaptação situada ou a rejeição absoluta; a base aqui valida a primeira e rejeita a segunda.
  • Em itens sobre CEFR/QCER, descritores, níveis e avaliação, diferencie lista fixa de metalinguagem negociável; se o item admitir formulação local e contextualização, tende a estar alinhado à base.
  • Se a assertiva mencionar mediação, plurilinguismo, pluriculturalidade e currículos bilíngues como ampliação de possibilidades, isso é compatível com a leitura adotada na base.

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