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Q3771202 Medicina
O Código de Ética Médica (CEM) regula a relação médico-paciente e o sigilo profissional. Em relação à entrega de documentos médicos, analise as afirmativas a seguir sobre a quem o médico deve entregar o laudo ou prontuário.

I.O médico deve fornecer o laudo médico ou cópia do prontuário diretamente ao paciente, ou ao seu representante legal, quando solicitado.
II.É permitido entregar o prontuário do paciente diretamente à autoridade policial ou judicial que o requisitar, mesmo sem a autorização do paciente, para colaborar com a justiça.
III.Em caso de falecimento do paciente, o sigilo médico deve ser mantido, salvo se houver justa causa ou autorização expressa deixada pelo paciente em vida.

Está correto o que se afirma em:     
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A decisão depende da regra ética sobre sigilo e destinatário legítimo do prontuário: o paciente ou seu representante legal pode recebê-lo, mas não há autorização genérica para entrega direta à autoridade policial ou judicial; além disso, o sigilo persiste após o óbito. Por isso, a I e a III são verdadeiras e a II é falsa.

Tema central: Sigilo e prontuário
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque considera verdadeira a assertiva II. O erro médico-ético específico é tratar a requisição por autoridade policial ou judicial como autorização automática para entrega direta do prontuário. Isso contraria o dever de sigilo, pois o prontuário contém dados sensíveis e o acesso por terceiros depende de base ética/legal adequada e da forma apropriada de remessa, não de colaboração genérica com a justiça.
B
Errada
Está errada porque exclui a assertiva III. O critério decisivo aqui é a persistência pós-morte do sigilo profissional: a morte do paciente não libera automaticamente o conteúdo do prontuário. A base é expressa ao afirmar que a confidencialidade continua após o óbito, salvo exceções eticamente admitidas.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque combina as duas assertivas compatíveis com o sigilo profissional e com o direito de acesso do titular. A I está correta: o paciente tem direito de receber laudo ou cópia do próprio prontuário, e esse fornecimento também pode ocorrer ao representante legal quando cabível. A III também está correta: o falecimento não extingue automaticamente o sigilo médico, que permanece protegido, admitindo-se revelação apenas nas exceções ético-legais indicadas na base. Já a II é incompatível com o fundamento central da questão, porque autoridade policial ou judicial é terceiro em relação ao prontuário, e não existe autorização genérica para entrega direta e irrestrita do documento apenas para "colaborar com a justiça".
D
Errada
Está errada por dois motivos objetivos: mantém a assertiva II, que viola o sigilo ao admitir entrega direta do prontuário a autoridade sem autorização do paciente, e exclui a III, que está correta porque o dever de confidencialidade persiste após a morte. Portanto, a alternativa falha tanto na proteção frente a terceiros quanto na compreensão do sigilo pós-óbito.
E
Errada
Está errada porque inclui a assertiva II, que é falsa, e afasta a assertiva I, que é verdadeira. O ponto técnico é que o destinatário primário e legítimo do laudo ou da cópia do prontuário é o próprio paciente, ou seu representante legal quando cabível. Negar isso e, ao mesmo tempo, admitir entrega direta a terceiros sem a cautela ética exigida inverte a lógica do sigilo profissional.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre fornecer documento ao próprio paciente, que é exercício do direito do titular, e revelar prontuário a terceiros por mera requisição de autoridade, como se isso afastasse automaticamente o sigilo; também testa o erro de supor que o sigilo acaba com a morte.
Dica para questões semelhantes
  • Separe sempre duas situações: acesso do paciente ou representante legal ao prontuário versus entrega a terceiros sob dever de sigilo.
  • Requisição policial ou judicial não deve ser lida como autorização genérica para entrega direta e irrestrita do prontuário.
  • Em ética médica, o sigilo profissional não se extingue automaticamente com o óbito do paciente.
  • Quando a alternativa falar em "colaborar com a justiça" como justificativa ampla para revelar prontuário, desconfie: a base ética exige exceção específica e forma adequada.

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