Considerando os aspectos semânticos das orações coordenadas...

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Q787809 Português
Texto para responder à questão.

* Final do romance “Vidas Secas” que narra a família de Fabiano, mais uma vez, se retirando para algum outro lugar, em virtude da seca:  

  Pouco a pouco uma vida nova, ainda confusa, se foi esboçando. Acomodar-se-iam num sítio pequeno, o que parecia difícil a Fabiano, criado solto no mato. Cultivariam um pedaço de terra. Mudar-se-iam depois para uma cidade, e os meninos frequentariam escolas, seriam diferentes deles. Sinhá Vitória esquentava-se. Fabiano ria, tinha desejo de esfregar as mãos agarradas à boca do saco e à coronha da espingarda de pederneira.
  Não sentia a espingarda, o saco, as pedras miúdas que lhe entravam nas alpercatas, o cheiro de carniças que empestavam o caminho. As palavras de Sinhá Vitória encantavam-no.
   Iriam para diante, alcançariam uma terra desconhecida. Fabiano estava contente e acreditava nessa terra, porque não sabia como ela era nem onde era. Repetia docilmente as palavras de Sinhá Vitória, as palavras que Sinhá Vitória murmurava porque tinha confiança nele. E andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles dois velhinhos, acabando-se como uns cachorros, inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer?
  Retardaram-se, temerosos. Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinhá Vitoria e os dois meninos.
(Vidas Secas, Graciliano Ramos.) 
Considerando os aspectos semânticos das orações coordenadas, a conjunção empregada em “Fabiano estava contente e acreditava nessa terra” (3º§) possibilita a expressão, no contexto apresentado, de
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Semântica das conjunções coordenativas aditivas.

A questão aborda o valor semântico da conjunção “e” em um trecho de “Vidas Secas”. O objetivo é identificar qual relação de sentido, segundo a norma-padrão, é estabelecida entre as orações coordenadas pelo conectivo “e”.

Conceito essencial: Conforme ensinam Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Cunha & Cintra, a conjunção “e” é coordenativa aditiva. Ela liga termos ou orações de mesmo valor sintático, indicando adição ou coexistência de fatos:

Exemplo: “Ele estudou e passou no concurso.” (Os dois fatos ocorrem juntos, sem hierarquia nem explicação causal.)

No trecho “Fabiano estava contente e acreditava nessa terra”, observa-se que as duas ações ocorrem ao mesmo tempo, sem indicar ordem cronológica nem relação de causa e efeito. Ou seja, os fatos coexistem, são simultâneos e de mesma importância.

Justificativa da alternativa correta (A):
A alternativa A afirma que a conjunção “e” permite a ligação de orações que representam fatos coexistentes. É exatamente isso que ocorre no contexto do trecho analisado. Fabiano experimentar alegria ao mesmo tempo em que acredita em uma nova terra.

Análise das alternativas incorretas:

B) Realce de alternativas não se aplica à conjunção “e”, que só excepcionalmente pode trazer equivalência, mas não nesse contexto, pois não há alternância ou oposição, e sim soma.

C) Causa e efeito ou sequência cronológica não aparecem no emprego da conjunção aqui. Nada indica que Fabiano ficou contente para depois acreditar, ou vice-versa. Ambas as ideias são simultâneas.

D) “E” não produz efeito adicional ligado à expressão de desejo, pois não há aumento de intensidade, apenas soma. O desejo não depende semanticamente dessa ligação.

Estratégia para provas: Sempre que a conjunção “e” unir duas orações, atente-se se elas indicam ideias que ocorrem juntas (coexistência/aditivas), sem relação clara de ordem nem oposição. Se houver sequência temporal, ideia de alternativa ou consequência, desconfie e confira o sentido!

Resumo da regra: Conjunção “e” normalmente expressa simples soma de ações ou estados de mesma importância (fatos coexistentes), conforme a gramática normativa.

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Comentários

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Fonte (Comentários Abaixo): https://www.exponencialconcursos.com.br/trf2-portugues-ajaa-e-ajof/

 

Alternativa A – CERTA

 

Note que o “e” conecta duas orações com a ideia de soma. Fabiano além de estar feliz, também acreditava nessa terra. É uma soma de duas afirmações diferentes que não tem, a priori, relação entre si. Ou seja, exatamente o que expressa a letra A (ligação de fatos coexistentes). Alternativa correta.

 

Alternativa B – ERRADA

 

Não há alternativas e sim duas afirmações coexistentes. Alternativa incorreta.

 

Alternativa C – ERRADA

 

Não há cronologia, a afirmação situa as duas afirmações no mesmo tempo. Alternativa incorreta.

 

Alternativa D – ERRADA

 

Não há relação de causa e efeito entre as duas orações. Alternativa incorreta.

 

Sobre a letra A - gabarito -, uma pergunta que não quer calar, conforme enunciado (“Fabiano estava contente e acreditava nessa terra” (3º§))

Desde quando estar contente e acreditar em algo é um fato?

 a) ligação de orações que representam fatos coexistentes.

Estar contente é um sentimento e acreditar em algo expressa uma crença, são percepções subjetivas, mas não são fatos.

 

Eitaaa que essa banca ta me esquentando a cabeça....

Conjunção aditiva: e, mas, também, além disso, ademais, como, nem

Coexistente = existir simultaneamente. "Mini Aurélio"

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