Homem, 47 anos, hipertenso e etilista crônico, é atendido pe...

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Q3948511 Medicina

Homem, 47 anos, hipertenso e etilista crônico, é atendido pelo SAMU por dispneia progressiva, icterícia e redução do volume urinário. Relata febre alta há 6 dias, cefaleia intensa e mialgia acentuada em panturrilhas nos primeiros dias do quadro, evoluindo com piora súbita nas últimas 24 horas. Mora em área urbana com histórico recente de alagamento após chuvas intensas. Ao exame: sonolento, orientado parcialmente, ictérico (4+/4+), conjuntivas hiperemiadas, febril. Sinais vitais: FC: 124 bpm, PA: 96 × 58 mmHg, FR: 32 irpm, SpO₂: 90% em ar ambiente. Ausculta respiratória com crepitações difusas. Dor intensa à palpação de panturrilhas. Durante o transporte, o paciente apresenta hemoptise discreta e piora da dispneia. Na admissão hospitalar inicial, exames laboratoriais mostram: Plaquetas: 68.000/mm³, Creatinina: 4,1 mg/dL; Ureia: 138 mg/dL; Bilirrubina total: 18 mg/dL (predomínio direta), AST/ALT: discretamente elevadas, Gasometria: hipoxemia grave.


Com base no quadro clínico e evolutivo, assinale a alternativa que CORRETAMENTE integra o reconhecimento da doença e a conduta adequada no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) e hospitalar inicial.

Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso reúne exposição a alagamento, febre com cefaleia e mialgia intensa em panturrilhas, conjuntivas hiperemiadas, icterícia importante, insuficiência renal aguda, plaquetopenia e hemoptise com hipoxemia grave, conjunto compatível com leptospirose grave (síndrome de Weil, com possível hemorragia pulmonar); por isso, a conduta correta é suporte imediato no APH e início precoce de antibiótico no hospital sem aguardar sorologia.

Tema central: Leptospirose grave
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A integra corretamente diagnóstico e conduta. O quadro é típico de leptospirose grave pelo contexto epidemiológico de enchente, pela semiologia característica de mialgia em panturrilhas e hiperemia conjuntival, e pela forma ictérico-renal com bilirrubina muito elevada e transaminases apenas discretamente aumentadas. A piora respiratória com crepitações difusas, hemoptise e hipoxemia grave indica comprometimento pulmonar grave, o que exige no APH priorização de oxigenação/suporte ventilatório, monitorização, acesso venoso, reposição volêmica cautelosa pelo risco de congestão pulmonar e transporte imediato. No hospital, a suspeita clínica forte de leptospirose grave já sustenta antibioticoterapia precoce, sem depender de confirmação sorológica.
B
Errada
Está errada por dois motivos médicos. Primeiro, o conjunto clínico não aponta para sepse de foco pulmonar como explicação principal: alagamento, mialgia em panturrilhas, conjuntivas hiperemiadas, icterícia intensa com AST/ALT discretamente elevadas e insuficiência renal aguda formam padrão muito mais específico de leptospirose grave. Segundo, em infecção grave com forte suspeita clínica, adiar antibiótico até confirmação laboratorial é conduta inadequada.
C
Errada
Está errada porque hepatite viral fulminante não explica melhor o padrão descrito. Na base, a leptospirose ictérica cursa com bilirrubina muito elevada e transaminases discretamente aumentadas, exatamente como no caso, além de mialgia em panturrilhas, conjuntivas hiperemiadas e insuficiência renal aguda. A alternativa também falha ao negar utilidade da antibioticoterapia, quando a suspeita é de infecção bacteriana grave tratável precocemente.
D
Errada
Está errada porque plaquetopenia e mialgia não confirmam dengue. A base é explícita em que esses achados são inespecíficos. O que direciona o diagnóstico aqui é a combinação de enchente, mialgia intensa em panturrilhas, sufusão/conjuntivas hiperemiadas, icterícia acentuada, insuficiência renal importante e hemoptise com hipoxemia, conjunto compatível com leptospirose grave. Evitar antibiótico nesse cenário seria inadequado.
E
Errada
Está errada porque o caso não é leve. Há critérios concretos de gravidade: icterícia acentuada, oligúria com creatinina e ureia elevadas, plaquetopenia, hipotensão relativa, dispneia progressiva, hemoptise e hipoxemia grave. A gravidade não depende de icterícia isolada, mas do acometimento multissistêmico hepatorrenal e pulmonar.
Pegadinha da questão
A banca mistura sinais que podem desviar para pneumonia, dengue grave ou hepatite, mas o ponto decisivo é reconhecer que hemoptise e crepitações podem ser acometimento pulmonar da leptospirose e que plaquetopenia ou icterícia isoladamente não mudam esse eixo diagnóstico.
Dica para questões semelhantes
  • Em síndrome febril após enchente, valorize mialgia em panturrilhas e conjuntivas hiperemiadas como pistas fortes para leptospirose.
  • Icterícia intensa com transaminases discretamente elevadas, associada a insuficiência renal, favorece leptospirose ictérica em vez de hepatite fulminante.
  • Se houver hemoptise, crepitações e hipoxemia em leptospirose, pense em forma pulmonar grave e priorize suporte ventilatório e transporte rápido.
  • Na suspeita clínica de leptospirose grave, não condicione o início do antibiótico à sorologia.

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