Dois pacientes do sexo masculino, ambos com fibrilação atria...

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Q3948504 Medicina
Dois pacientes do sexo masculino, ambos com fibrilação atrial permanente e uso irregular de anticoagulante, são atendidos pelo SAMU em momentos distintos, com diagnóstico clínico de isquemia aguda de membro inferior, ambos com início súbito dos sintomas há menos de 6 horas.

 •     Paciente A


        Dor intensa em membro inferior esquerdo;

        Extremidade fria e pálida;

        Pulsos distais ausentes;

        Sensibilidade tátil discretamente reduzida em pododáctilos;

        Força muscular preservada;

        Dor exacerbada à palpação, sem rigidez muscular.



•      Paciente B


        Dor muito intensa em membro inferior direito;

        Extremidade fria, pálida e marmórea;

        Pulsos distais ausentes;

        Hipoestesia extensa do pé e da perna distal;

        Déficit motor evidente (dificuldade para dorsiflexão do pé);

        Dor espontânea menos intensa no momento da avaliação.



Considerando a classificação de gravidade da isquemia aguda, o prognóstico do membro e a conduta mais adequada no atendimento pré-hospitalar, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Na isquemia aguda de membro, a distinção entre Rutherford IIa e IIb depende sobretudo da extensão do déficit sensitivo e da presença de déficit motor: perda sensitiva mínima, sem déficit motor, indica IIa; perda sensitiva mais extensa com déficit motor indica IIb. No caso, o paciente A é IIa e o paciente B é IIb, o que torna o gabarito E correto.

Tema central: Isquemia aguda de membro
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inverte a classificação dos pacientes e usa um critério inválido para graduar a gravidade. A intensidade da dor não separa IIa de IIb. O que define essa diferença é o exame neurológico do membro: no paciente A há apenas alteração sensitiva discreta distal e força preservada, logo IIa; no paciente B há hipoestesia extensa associada a déficit motor, logo IIb.
B
Errada
Está errada porque o paciente B não é Grau IIa. A presença de déficit motor evidente o coloca em Grau IIb, situação de ameaça imediata ao membro. Por isso, observação clínica antes do transporte é inadequada no contexto pré-hospitalar, já que atrasa o acesso à revascularização.
C
Errada
Está errada porque, embora classifique corretamente A como IIa e B como IIb, desloca o foco para a anticoagulação plena no APH, enquanto a base decisiva da questão é a classificação clínica e a prioridade de transporte no Grau IIb. Aqui, o ponto correto é não retardar a remoção do membro imediatamente ameaçado.
D
Errada
Está errada porque ausência de pulsos confirma obstrução arterial aguda, mas não classifica sozinha o membro como IIb. Tanto IIa quanto IIb podem cursar com pulsos distais ausentes. O paciente A não tem déficit motor e apresenta apenas hipoestesia discreta distal, o que afasta ameaça imediata e o mantém como Grau IIa.
E
Certa
A alternativa E está correta porque aplica o critério classificatório decisivo da isquemia aguda de membro. No paciente A, a perda sensitiva é mínima e distal, sem déficit motor, o que caracteriza membro ameaçado marginalmente (Grau IIa). No paciente B, a perda sensitiva é mais extensa e já há déficit motor, o que caracteriza membro ameaçado imediatamente (Grau IIb). Nesse cenário, o ponto técnico no atendimento pré-hospitalar é a urgência da revascularização do Grau IIb, razão pela qual o transporte não deve ser atrasado por medidas secundárias. A menor dor espontânea no paciente B não reduz a gravidade; pode ocorrer justamente por comprometimento sensitivo em isquemia mais avançada.
Pegadinha da questão
A banca tenta fazer o candidato classificar a gravidade pela dor ou pela ausência de pulsos, quando o divisor real entre IIa e IIb é o exame neurológico, sobretudo a presença de déficit motor; além disso, a menor dor espontânea no caso mais grave pode enganar e não significa melhora.
Dica para questões semelhantes
  • Para diferenciar IIa de IIb, procure primeiro extensão da perda sensitiva e presença de déficit motor.
  • Pulso ausente ajuda a reconhecer isquemia aguda, mas não define sozinho ameaça imediata ao membro.
  • Dor intensa não estratifica gravidade por si só; redução da dor espontânea pode ocorrer com piora neurológica.
  • Se houver quadro compatível com Grau IIb, a prioridade no APH é não atrasar o transporte para revascularização.

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