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Q769765 Medicina
“Uma paciente de 17 anos apresenta quadro de vertigem, zumbido, hipoacusia, ataxia, diplopia e disartria com duração de cerca de 20 minutos, seguido de forte cefaleia occipital.” Qual o diagnóstico mais provável?
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Tema central: A questão aborda o diagnóstico de um quadro neurológico com sintomas de disfunção do tronco encefálico (vertigem, zumbido, hipoacusia, ataxia, diplopia, disartria), seguidos de cefaleia occipital. Esses achados direcionam para uma cefaleia primária rara: a enxaqueca de Bickerstaff (também chamada enxaqueca com aura do tronco cerebral).

Justificativa da alternativa correta (B): A enxaqueca de Bickerstaff é caracterizada por episódios reversíveis de sintomas de aura atribuídos ao tronco encefálico, como vertigem, zumbido, ataxia, disartria, diplopia e hipoacusia, seguidos por forte cefaleia – geralmente na região occipital. Conforme as diretrizes da International Headache Society e a Sociedade Brasileira de Cefaleia, essa apresentação é típica desse subtipo. Seu diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história orientada e exclusão de causas secundárias (por exemplo, doença cerebrovascular).

Análise das alternativas incorretas:

A) Cefaleia de Horton (Cefaleia em Salvas): Apresenta crises de dor intensa em região orbitária, associada a sintomas autonômicos (lacrimejamento, congestão nasal, ptose), sem sintomas focais neurológicos do tronco encefálico. Não cursa com aura troncoencefálica.

C) Enxaqueca clássica com aura: Predominam auras visuais ou sensoriais (escotomas, flashes), podendo ter sintomas motores leves, mas não envolve, classicamente, sinais do tronco encefálico como ataxia, diplopia ou hipoacusia.

D) Hemicrania paroxística (forma atípica): É cefaleia de curta duração, unilateral, severa, associada a sintomas autonômicos. Faltam sintomas neurológicos difusos ou do tronco encefálico como no quadro descrito.

Pontos-chave para resolução:

  • Foque na topografia dos sintomas neurológicos (tronco encefálico versus sintomas autonômicos ou auras visuais).
  • A presença de ataxia, diplopia, disartria e sintomas auditivos obriga a pensar em envolvimento bulbar, típico das enxaquecas do tronco cerebral.
  • Desconfie de diagnósticos que não justifiquem a totalidade dos sinais/sintomas apresentados.

Evidências e protocolos: Segundo a International Classification of Headache Disorders, 3rd edition (ICHD-3) e o Projeto Diretrizes – Cefaleias em Adultos da Sociedade Brasileira de Cefaleia: “Na enxaqueca com aura do tronco cerebral ocorrem sintomas como disartria, vertigem, hipoacusia e diplopia, seguidos de cefaleia occipital” (Seção: Diagnóstico diferencial das cefaleias).

Resumo estratégico: Identifique sintomas sugestivos de tronco encefálico e associe à cefaleia occipital. A enxaqueca de Bickerstaff é o diagnóstico mais provável nesse contexto.

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O diagnóstico mais provável para o quadro descrito é a enxaqueca de Bickerstaff, que é uma síndrome rara que se caracteriza por uma tríade de sintomas: vertigem, ataxia e disartria, além de outros sintomas como cefaleia, zumbido, hipoacusia e diplopia. Esse quadro geralmente é transitório e autolimitado, com duração de algumas horas a dias. A enxaqueca de Bickerstaff é considerada uma variante da enxaqueca com aura, por isso a alternativa correta é a B. É importante lembrar que o diagnóstico preciso só pode ser feito por um médico, após avaliação clínica detalhada.

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