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Q3511030 Medicina
Uma mulher de 46 anos, obesa, hipertensa e diabética, foi mordida por um cão da raça pastor alemão. As mordidas atingiram levemente a face; porém, na região posterior da coxa e mão direita, algumas lesões eram laceradas e outras, puntiformes e profundas, não atingindo vasos arteriais calibrosos. O cão era vacinado, saudável e tinha proprietário conhecido.
Considerando o descrito acima, com relação às mordeduras por cães, a conduta inicial mais correta é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: manejo inicial de mordeduras por cão, com ênfase em cuidados locais imediatos, avaliação de risco de infecção, necessidade de antibiótico, sutura, imagem e profilaxias (raiva e tétano).

Gabarito: DLavar o local abundantemente com água e solução degermante.

Justificativa da alternativa correta: A medida mais importante e imediata nas mordeduras é a lavagem copiosa por 10–15 minutos com água e sabão/degermante, seguida de irrigação sob pressão com soro, reduzindo drasticamente a carga bacteriana e o risco de raiva e tétano. Essa é a primeira etapa antes de decidir por antibióticos, sutura, imagem ou profilaxias. Referências: Ministério da Saúde (Protocolo de Exposição a Raiva), OMS/WHO (Rabies PEP), UpToDate e Harrison’s.

Estratégia de prova (palavras-chave):conduta inicial”, cão vacinado e observável, lesões em mão e paciente diabética (alto risco para infecção) — ainda assim, primeiro passo é a lavagem.

Por que as demais estão incorretas?

A) “Usar de imediato amoxicilina + clavulanato IV”: antibiótico pode ser indicado após limpeza em feridas de alto risco (mão, punção profunda, diabetes), porém a via usual é oral (amoxicilina/clavulanato 875/125 mg 12/12h, 3–5 dias como profilaxia). IV é reservado para infecção estabelecida/grave ou necessidade de internação. Além disso, não precede a irrigação. (UpToDate; IDSA)

B) “Suturar todas as lesões”: errado. Em mordeduras, evita-se fechamento primário em mãos e punções profundas devido ao alto risco de infecção; pode-se considerar sutura no rosto (boa vascularização/estética) após ampla limpeza e, em laceradas selecionadas, nunca todas. (Harrison’s; UpToDate)

C) “Raio X da mão antes de qualquer medida”: imagem é útil se suspeita de fratura, corpo estranho ou acometimento articular, especialmente em mão, mas não antecede a limpeza e exploração inicial. Pode ser feita após a higiene se houver indicação clínica. (UpToDate)

E) “Soro e vacinas antirrábica e antitetânica imediatamente”: para cão saudável, vacinado e passível de observação, a conduta é observar o animal por 10 dias e indicar PEP apenas se adoecer/morrer/não for localizado. Tétano: avaliar esquema vacinal; fazer reforço se >5 anos em ferida suja; imunoglobulina apenas se esquema incompleto/desconhecido com ferida de risco. Não é a primeira medida. (Ministério da Saúde; OMS)

Conduta prática após a lavagem: avaliação detalhada da ferida, desbridamento se necessário; decidir profilaxia antibiótica (neste caso, indicada: mão + diabetes); considerar sutura apenas em face/lesões selecionadas; avaliar necessidade de imagem; checar e atualizar tétano; observar o cão por 10 dias para raiva.

Referências: Ministério da Saúde – Profilaxia antirrábica humana; WHO Rabies PEP guidelines; UpToDate: “Dog and cat bites”; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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