Yersinia pestis é uma bactéria gram-negativa que causa infe...
Y. pestis possui um complexo transmitido por genes plasmídeos, o Yop virion, que codifica a secreção de uma proteína sob a forma de uma estrutura oca, lembrando uma seringa, que se projeta na superfície bacteriana e liga-se às células dos hospedeiros, onde injeta proteínas bacterianas chamadas Yops (proteínas do revestimento externo de Yersinia) na célula.
Em relação à transmissão dessa bactéria, é correto afirmar que:
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Tema central: transmissão da Yersinia pestis. Saber diferenciar o mecanismo vetorial (pulga–roedor–humano) da fisiopatologia pós-inoculação é a chave para acertar a questão.
Alternativa correta: A — A Y. pestis coloniza o proventrículo da pulga, forma biofilme que causa obstrução e “bloqueio da pulga”. A pulga faminta tenta se alimentar repetidamente e regurgita sangue contaminado no sítio da picada, inoculando a bactéria no hospedeiro (roedor ou humano). Esse é o mecanismo clássico de transmissão vetorial descrito em diretrizes e textos de referência (Harrison’s, CDC, OMS, UpToDate).
Por que A é a melhor: descreve diretamente o mecanismo de transmissão via pulga, com os elementos essenciais: proliferação no proventrículo, biofilme, obstrução, fome da pulga, regurgitação e inoculação. Esses são os marcadores que a banca espera quando pergunta sobre transmissão.
Análise das incorretas
B — Afirma que as bactérias se espalham do local da inoculação para tecidos linfoides e inibem a resposta do hospedeiro. Isso descreve a patogênese (formação de bubões e evasão imune), não o processo de transmissão. Conceito verdadeiro, mas fora do escopo da pergunta.
C — YopE, YopH e YopT realmente bloqueiam a fagocitose ao interferirem na polimerização de actina (p.ex., inativação de Rho GTPases, fosfatase de tirosina). Novamente, isso é mecanismo de virulência pós-inoculação, não transmissão.
D — YopJ inibe vias de sinalização ativadas por LPS (TLR4), reduzindo NF-κB/MAPK e citocinas inflamatórias. Também correto do ponto de vista imunológico, porém trata de imunoescape, não de transmissão.
E — A descrição clínica da peste septicêmica (necrose, CIVD, hemorragias) é compatível; porém afirmar que, nessa fase, as pulgas “não podem mais adquirir grande quantidade de bactérias” e que a transmissão diminui é inconsistente. Na bacteremia elevada, as pulgas podem, sim, adquirir Y. pestis; além disso, a continuidade da transmissão populacional depende do ciclo roedor–pulga e, em surtos, a disseminação pode prosseguir, inclusive por via aerossol (peste pneumônica). Portanto, a relação proposta é equivocada.
Dica de prova: Para questões de “transmissão”, procure termos como pulga, proventrículo, biofilme, regurgitação. Termos como linfonodo, Yops, citocinas indicam fisiopatologia, não transmissão.
Fontes úteis: Harrison’s Principles of Internal Medicine; CDC – Plague (Epidemiology/Transmission); OMS – Plague Fact Sheet; UpToDate – Plague: epidemiology and pathogenesis.
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