A ingestão de substâncias cáusticas por crianças é um proble...

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Ano: 2025 Banca: UFU-MG Órgão: UFU-MG Prova: UFU-MG - 2025 - UFU-MG - Médico/Pediatra |
Q3158268 Medicina
A ingestão de substâncias cáusticas por crianças é um problema de saúde-pública de países em desenvolvimento, refletindo a desinformação da população e a ausência de medidas políticas e econômicas que atuem na segurança infantil.

Sobre os acidentes por ingestão de substâncias cáusticas na infância, assinale a alternativa correta.
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Tema central: ingestão de substâncias cáusticas em crianças. Essas substâncias (ácidos e bases fortes) causam necrose química do trato aerodigestivo; bases tendem a causar necrose liquefativa profunda e ácidos, necrose coagulativa. Gravidade depende de pH, concentração, volume e tempo de contato.

Alternativa correta – A: Não administrar “neutralizantes” após a ingestão. A neutralização ácido–base é exotérmica, gerando calor que pode agravar a queimadura; além disso, aumenta o risco de vômitos e aspiração. Essa é a recomendação de diretrizes e revisões (SBP, AAP, UpToDate) para todas as faixas etárias.

Por que as demais estão incorretas?

B) “Cáustico = base forte” é falso. Ácidos fortes (pH<2), como produtos desincrustantes e alguns limpadores, também são cáusticos. Bases (pH>12) geralmente lesam mais o esôfago por penetração profunda, mas ambos podem causar queimaduras graves e perfuração. (ESPGHAN/ESGE; UpToDate)

C) Lavagem gástrica e carvão ativado são contraindicados em cáusticos. O carvão não adsorve ácidos/bases de forma útil e dificulta a endoscopia; a lavagem aumenta risco de vômitos, aspiração e perfuração. Também não induzir êmese e evitar sondagem às cegas. (SBP; UpToDate)

D) A ausência de disfagia/sialorreia não garante esôfago íntegro. Sinais como dor orofaríngea, odinofagia, vômitos, estridor e queimaduras orais podem estar presentes, mas não predizem gravidade; crianças assintomáticas podem ter lesões significativas. Decisão é clínica + endoscópica, não baseada apenas em sintomas nas primeiras 48 h. (ESPGHAN/ESGE; UpToDate)

Como abordar na prática (resumo de conduta):

  • ABC primeiro: proteger via aérea se estridor, sialorreia intensa, rebaixamento.
  • Não neutralizar, não induzir vômito, não carvão, não lavagem gástrica.
  • Endoscopia diagnóstica idealmente em 12–24 h para graduar lesão; evitar após 48 h até ~15 dias se não feita inicialmente, pela friabilidade tecidual. (ESPGHAN/ESGE)
  • Analgésicos, IBP, jejum inicial conforme gravidade; antibiótico se perfuração/mediastinite. Corticoide tem uso selecionado em lesões IIb extensas; evidência controversa.
  • Radiografia/TC se suspeita de perfuração (dor torácica intensa, enfisema subcutâneo, febre).

Estratégia para a prova: viu “cáustico” em pediatria, lembre: evitar neutralização e medidas que provoquem vômito; carvão/lavagem são pegadinhas frequentes; ausência de sintomas ≠ ausência de lesão; considerar endoscopia precoce conforme protocolo.

Referências: Sociedade Brasileira de Pediatria – Emergências; ESPGHAN/ESGE guidelines para ingestão cáustica; UpToDate (Caustic esophageal injury in children); AAP.

Gabarito: A

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