"Deixando de lado as condições específicas em que foi produ...

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Q3878316 História
"Deixando de lado as condições específicas em que foi produzido esse discurso do exercício do poder, o que de mais significativo existe nele é o fato de periodizar a história do Brasil em duas etapas, sendo o divisor de águas uma revolução, a Revolução de 30. (...) Há um lugar a partir do qual deve-se ler a história – este é o passado memorizado como o domínio das oligarquias – e a partir daí, a revelação da história se dá através da ideia-chave de revolução de 30. (...) Esse discurso como exercício efetivo do poder político, além de periodizar a história, define o lugar onde ela deve ser lida – o passado memorizado como domínio das oligarquias e o presente como uma revolução sem prazo para acabar. (...) Como o discurso do exercício do poder, a Revolução de 30 oculta o percurso das classes sociais em conflito não apenas anulando a existência de determinados agentes, mas, principalmente, definindo enfaticamente o lugar da história para todos os agentes sociais" (De Decca, 1992, p. 75-107 ).

Na releitura da “Revolução de 1930”, é correto afirmar que o historiador Edgar De Decca defende a tese de que a interpretação oficial (dos vencedores) apresentou o movimento como resultado
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O enunciado contrasta a leitura oficial da Revolução de 1930 como ruptura com as oligarquias com o apagamento de outros agentes e conflitos sociais; a alternativa correta é a que reúne esses dois elementos.

Tema central: Memória oficial de 1930
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque traduz a crítica de Edgar De Decca à interpretação oficial dos vencedores: a Revolução de 1930 aparece como luta exclusiva contra as oligarquias e, com isso, outros sujeitos históricos e outras propostas revolucionárias são silenciados. Essa é exatamente a consequência indicada no texto-base, que fala em periodização da história, domínio oligárquico no passado e ocultação do percurso das classes em conflito.
B
Errada
Erra porque atribui ao movimento uma confluência específica entre movimento operário-camponês e PRP, o que não corresponde à crítica de De Decca nem ao sentido do excerto.
C
Errada
Erra ao atribuir protagonismo exclusivo ao Bloco Operário Camponês. A base indica que De Decca denuncia o apagamento de agentes pela narrativa oficial, e não a defesa de um sujeito único e exclusivo de 1930.
D
Errada
Erra porque apresenta a burguesia industrial como sujeito exclusivo de 1930, o que não é a tese do autor e não decorre do excerto.
E
Errada
Erra por transformar a questão da memória oficial e do ocultamento dos conflitos em uma narrativa de coalizão reformista, incompatível com a crítica de De Decca.
Pegadinha da questão
Trocar a crítica ao discurso oficial dos vencedores por uma explicação causal fechada sobre quem teria feito a Revolução de 1930.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto falar em memória oficial, discurso do poder ou apagamento de agentes, procure a alternativa que descreve a construção da narrativa, não uma causa histórica única.
  • Se o autor destaca ocultação de conflitos e anulação de sujeitos, descarte alternativas que atribuem protagonismo exclusivo a um grupo social.
  • Em questões de historiografia, diferencie crítica à interpretação dominante de adesão do autor a uma explicação factual única.

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