J.R.P., 6 anos, sexo masculino, previamente hígido, dá ...

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Q3994228 Medicina
    J.R.P., 6 anos, sexo masculino, previamente hígido, dá entrada no pronto socorro com história de vômitos e diarreia há 48 horas, redução importante da diurese e letargia leve. Ao exame: extremidades frias, enchimento capilar de 4 segundos, taquicardia (FC 148 bpm), pulso periférico filiforme, pressão arterial 92/58 mmHg (limite inferior para idade), sem sinais de insuficiência respiratória. Saturação de O2 em ar ambiente: 98%. Não há história de cardiopatia, doença renal ou sepse conhecida. Acesso venoso periférico é obtido rapidamente.
    Segundo as Diretrizes da American Heart Association — Pediatric Advanced Life Support (PALS, 2020), qual é a conduta inicial prioritária e formalmente indicada para esse quadro hemodinâmico? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O caso descreve choque hipovolêmico pediátrico compensado por perdas gastrointestinais, com hipoperfusão periférica, oligúria e taquicardia, ainda sem hipotensão franca. Pelo PALS 2020, isso torna indicada a expansão volêmica imediata com cristaloide isotônico em bolus de 20 mL/kg, com reavaliação clínica após cada bolus; a pressão arterial limítrofe não afasta o choque nem autoriza postergar fluidos.

Tema central: Choque hipovolêmico pediátrico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o choque pediátrico é diagnóstico clínico e não depende de confirmação laboratorial de acidose para início do tratamento. A criança já apresenta sinais de hipoperfusão por hipovolemia, e restringir fluidos diante de perdas digestivas e má perfusão atrasa uma intervenção tempo-dependente.
B
Errada
Está errada porque o problema hemodinâmico descrito é depleção intravascular por vômitos e diarreia, ou seja, falha primária de pré-carga. No choque hipovolêmico pediátrico, o tratamento inicial prioritário é restaurar volume com cristaloide isotônico; iniciar vasopressor antes da expansão não corrige a causa do choque e pode piorar a perfusão periférica.
C
Certa
A alternativa C corresponde à conduta inicial formalmente indicada nas recomendações da AHA/PALS 2020 para choque hipovolêmico em criança: bolus rápido de cristaloide isotônico, dose inicial usual de 20 mL/kg, com reavaliação imediata e repetição conforme a resposta. O enunciado mostra hipovolemia por vômitos e diarreia, além de sinais de má perfusão, sem dados de cardiopatia, doença renal ou insuficiência respiratória que contraindiquem essa expansão inicial.
D
Errada
Está errada porque monitorização e eventual oxigenoterapia são medidas de suporte, mas não substituem a correção da hipovolemia. O erro decisivo é adiar a expansão volêmica até hipotensão: em pediatria, a hipotensão é sinal tardio, e os sinais de hipoperfusão já indicam tratamento imediato.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa segurança da pressão arterial ainda preservada: em criança, choque pode estar presente antes da hipotensão, então não se deve esperar queda pressórica para iniciar reposição volêmica.
Dica para questões semelhantes
  • Em pediatria, valorize sinais de perfusão: enchimento capilar, temperatura de extremidades, pulso, diurese e estado mental podem diagnosticar choque antes da hipotensão.
  • Se o quadro for compatível com choque hipovolêmico por perdas, a prioridade no PALS é cristaloide isotônico em bolus rápido com reavaliação após cada infusão.
  • Vasopressor antes de volume só faz sentido em contextos específicos não descritos; na hipovolemia pura, isso não trata a causa principal.
  • Oxigênio e monitorização são adjuntos importantes, mas não justificam adiar a intervenção hemodinâmica principal.

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