M.R.A., 6 anos, sexo feminino, previamente saudável, é a...

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Q3994217 Medicina
    M.R.A., 6 anos, sexo feminino, previamente saudável, é avaliada ambulatorialmente por anemia ferropriva refratária a tratamento oral, sem outras queixas gastrointestinais relevantes. A criança está em dieta habitual contendo glúten. Os exames laboratoriais revelam IgA total dentro da normalidade. A dosagem de anticorpos anti- -transglutaminase tecidual IgA (TGA-IgA) atinge 12 vezes o limite superior da normalidade. Uma segunda amostra sérica confirma positividade para anticorpo antiendomísio IgA (EMA-IgA). Não há histórico familiar de doença celíaca. A paciente encontra-se clinicamente estável, com crescimento e desenvolvimento adequados.
    Qual é a conduta diagnóstica formalmente indicada para esta paciente? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Pela diretriz ESPGHAN 2020, em criança em dieta com glúten, com IgA total normal, TGA-IgA ≥10 vezes o limite superior da normalidade e EMA-IgA positivo em segunda amostra, o diagnóstico de doença celíaca pode ser confirmado sem biópsia; no caso, esses critérios estão preenchidos, então a resposta formal é C.

Tema central: Doença celíaca sem biópsia
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a tipagem HLA-DQ2/DQ8 não é etapa obrigatória para fechar o diagnóstico quando a criança já cumpre os critérios sorológicos robustos da estratégia sem biópsia. O HLA pode ter utilidade excludente quando ausente, mas não é requisito formal confirmatório nesse cenário.
B
Errada
Está errada porque a ausência de sintomas clássicos de má absorção não obriga biópsia se os critérios sorológicos da via sem biópsia já foram preenchidos. A própria base destaca que crianças assintomáticas podem seguir o mesmo algoritmo, e a anemia ferropriva refratária é manifestação compatível com doença celíaca.
C
Certa
A alternativa C está correta porque a paciente preenche integralmente os pré-requisitos da via diagnóstica sem biópsia: está consumindo glúten, tem IgA total normal, apresenta TGA-IgA em título alto o suficiente para o critério formal (12 vezes o limite superior da normalidade) e houve confirmação com EMA-IgA positivo em segunda coleta. Pela diretriz pediátrica citada na base, sintomas clássicos, história familiar e tipagem HLA não são exigências obrigatórias quando esse conjunto sorológico está presente.
D
Errada
Está errada porque não há necessidade diagnóstica de aguardar 6 a 12 meses para repetir sorologia quando já existe TGA-IgA ≥10 vezes o limite superior da normalidade confirmado por EMA-IgA em segunda amostra. Essa conduta apenas posterga uma definição diagnóstica que, pelos critérios atuais, já pode ser formalmente estabelecida.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre critérios antigos e os critérios pediátricos atuais: muitos candidatos exigem biópsia por assintomatia ou pedem HLA como obrigatório, mas a diretriz usada na base dispensa ambos quando TGA-IgA é ≥10 vezes o limite superior da normalidade e o EMA-IgA confirma em segunda amostra.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de decidir por biópsia, verifique se a criança está em dieta com glúten e se a IgA total é normal; sem isso, a sorologia IgA não sustenta a via sem biópsia.
  • Em pediatria, TGA-IgA ≥10 vezes o limite superior da normalidade mais EMA-IgA positivo em segunda amostra é o núcleo do critério sem biópsia.
  • Não use ausência de diarreia, bom crescimento ou falta de história familiar para negar doença celíaca se os critérios sorológicos formais já foram preenchidos.

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