Durante uma visita domiciliar, um médico de família observa ...

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Q3833598 Medicina
Durante uma visita domiciliar, um médico de família observa que uma paciente de 82 anos, com déficit auditivo leve, apresenta higiene precária e parece ansiosa na presença do neto, que é seu cuidador principal e responsável por gerir sua aposentadoria. O neto fala pela paciente, utilizando termos infantis e voz excessivamente alta.  
Qual estratégia de comunicação clínica é mais adequada para investigar possíveis maus-tratos? 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: Na suspeita de maus-tratos à pessoa idosa, o ponto central é investigar em ambiente seguro, com ao menos parte da entrevista e do exame sem o cuidador suspeito. No caso, a ansiedade na presença do neto, a fala substitutiva por ele, o controle da aposentadoria e a higiene precária são sinais de alerta que favorecem essa abordagem e sustentam o gabarito B.

Tema central: Maus-tratos contra pessoa idosa
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque infantilizar e adotar postura paternalista compromete autonomia, dignidade e qualidade da avaliação clínica. O enunciado já mostra esse padrão inadequado no cuidador, e repeti-lo piora a investigação. Déficit auditivo leve não justifica tratar a paciente como incapaz de compreender.
B
Certa
A alternativa B está correta porque a presença do cuidador suspeito pode inibir a revelação de violência, negligência ou exploração financeira. Por isso, a avaliação deve ser feita de forma reservada, sem o acompanhante, com comunicação respeitosa e perguntas claras e não acusatórias sobre segurança e cuidado, como a paciente se sentir segura e bem cuidada.
C
Errada
Está errada porque o cuidador é justamente uma fonte de suspeita: fala pela paciente, controla recursos financeiros e ela demonstra ansiedade na sua presença. Privilegiá-lo para confirmar abuso pode distorcer informações, aumentar coerção e impedir revelação de maus-tratos. Na suspeita de violência, a escuta da vítima potencial em ambiente seguro é prioritária.
D
Errada
Está errada porque gritar não é técnica adequada para hipoacusia leve. A comunicação correta com pessoa idosa com déficit auditivo é falar claramente, em tom habitual, de frente para a paciente e confirmando compreensão. Gritar pode ser agressivo, humilhante e piorar a interação clínica.
E
Errada
Está errada porque frases autodepreciativas, como sensação de inutilidade, não devem ser naturalizadas como envelhecimento normal. Elas podem sinalizar sofrimento psíquico, depressão ou violência psicológica e exigem escuta e investigação. Desconsiderá-las elimina um dado clínico relevante no contexto de suspeita de maus-tratos.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa ideia de que o cuidador principal deve ser a fonte primária de informação e de que déficit auditivo leve autoriza gritar ou infantilizar a idosa; na verdade, esses elementos reforçam a necessidade de escuta privada e respeitosa.
Dica para questões semelhantes
  • Diante de sinais de coerção, medo, fala substitutiva do acompanhante ou controle financeiro por cuidador, procure a alternativa que garanta entrevista reservada com a pessoa idosa.
  • Em suspeita de violência, perguntas abertas sobre segurança, cuidado, medo e controle de dinheiro são mais adequadas que confronto direto com o possível agressor.
  • Déficit auditivo leve pede adaptação da comunicação, não gritos nem infantilização.
  • Não normalize autodepreciação, desesperança ou ansiedade na presença do cuidador como envelhecimento fisiológico.

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