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Q3833596 Medicina
No atendimento a um jovem egresso do sistema prisional que reside em uma ocupação (população em situação de rua), o médico de família deve utilizar o mnemônico RECOGNIZE e a noção de vulnerabilidade estrutural. 
Sobre esse contexto, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A questão cobra cuidado centrado na pessoa em vulnerabilidade estrutural, com preservação de vínculo, comunicação não julgadora, negociação terapêutica e sigilo. Em um jovem egresso do sistema prisional e em situação de rua, esse é o critério que orienta a resposta correta e afasta condutas moralizantes, estigmatizantes ou de quebra indevida de confidencialidade.

Tema central: Vínculo e sigilo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque substitui a entrevista clínica por uma abordagem moralizante e securitária. No cuidado ao egresso do sistema prisional, o médico deve investigar necessidades de saúde, sofrimento, barreiras de acesso, riscos e proteção social, e não rejulgar o ato infracional para inferir 'periculosidade'. Isso contraria a clínica centrada na pessoa, a comunicação não julgadora e a noção de vulnerabilidade estrutural.
B
Errada
Está errada por dois motivos médicos concretos: trata o estigma do encarceramento como se fosse necessariamente um atributo visível e afirma que ele não interfere na busca por cuidado. Pela base, o estigma é socialmente produzido, pode ser conhecido no território mesmo sem marca visível e reduz acesso, procura, confiança e continuidade do cuidado. Portanto, a premissa da alternativa é conceitualmente falsa e assistencialmente inadequada.
C
Certa
A alternativa C está correta porque expressa o núcleo técnico do cuidado à população em situação de rua e a pessoas marcadas por exclusão social e desconfiança institucional: a adesão e a continuidade do cuidado dependem de confiança, negociação terapêutica e respeito aos pactos estabelecidos. Na lógica da clínica ampliada, da redução de danos e da atenção primária, romper acordos de forma injustificada fragiliza o vínculo e pode interromper o seguimento. O ponto decisivo não é rigidez absoluta, e sim que mudanças de conduta exigem renegociação transparente para não destruir a relação terapêutica.
D
Errada
A alternativa traz uma comparação epidemiológica específica sobre taxas de notificação de violência entre subgrupos de deficiência, mas esse dado não foi apresentado como base decisiva no enunciado. Além disso, não responde ao núcleo cobrado da questão, que é a abordagem do cuidado em vulnerabilidade estrutural, com vínculo, não estigmatização e sigilo.
E
Errada
Está errada porque propõe quebra indevida de sigilo sobre dado sensível. Histórico de encarceramento não pode ser divulgado à vizinhança por uma ideia genérica de segurança comunitária. Isso viola confidencialidade, amplia estigma, aumenta risco social e compromete o cuidado. A responsabilidade territorial da APS não autoriza exposição comunitária de informação pessoal sem base ética ou legal adequada.
Pegadinha da questão
A banca tenta trocar cuidado em vulnerabilidade estrutural por postura de controle social: rejulgamento moral, negação do efeito do estigma e quebra de sigilo parecem 'protetivos', mas contrariam o critério clínico decisivo, que é vínculo, não julgamento e confidencialidade.
Dica para questões semelhantes
  • Em cenários de PSR, encarceramento e exclusão social, procure a alternativa que preserve vínculo, negociação terapêutica e comunicação não julgadora.
  • Se a opção desloca a consulta para investigação moral, controle social ou 'periculosidade', ela conflita com a clínica centrada na pessoa.
  • Informação sensível, como histórico prisional, só pode ser compartilhada com justificativa ética ou legal; divulgação comunitária genérica elimina a alternativa.
  • Desconfie de afirmação estatística periférica quando o núcleo cobrado é conduta clínica e ética em atenção primária.

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