“David da Vinci”, o menino gênio mexicano com QI
superior ao de Einstein
Com 10 anos de idade, David Camacho oferece conferências
em universidades e para organismos internacionais, irá em
breve publicar um livro e criou um aplicativo para combater
o bullying que sofreu na escola.
David Camacho provavelmente não irá gostar
do título desta reportagem.
Primeiramente, porque não se identifica com
a descrição de "menino gênio", embora seu quociente
de inteligência (QI) de 162 esteja muito acima dos 130
fixados pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
como mínimo para considerar uma pessoa com altas
habilidades ou intelectualmente superdotado.
"Os gênios já estão no túmulo e, se foram gênios, é porque fizeram coisas geniais", explica ele, modestamente.
Em segundo lugar, porque ele admite que não
lhe agrada muito ser comparado com outras mentes
brilhantes, como a dos físicos Stephen Hawking (1942-
2018) ou Albert Einstein (1879-1955), que tinham QI
estimado de 160.
"Tenho 10 anos e estou apenas começando",
prossegue ele. "Talvez eu seja um gênio quando tiver
70 anos, mas quando tiver feito coisas geniais na vida,
certo?"
Mas existe, sim, um gênio que serve de inspiração para o menino. Ele chegou a adotar seu sobrenome nas redes sociais, onde é conhecido como "David
da Vinci".
"Minha professora do jardim da infância me
ensinava muito sobre Leonardo da Vinci [1452-1519] e
como ele era polímata: alguém que combina as ciências, tecnologia, engenharia, matemática, artes, ciências humanas... de tudo um pouco", recorda ele.
"Fiquei impressionado com a sua história, até
que disse: 'Quero ser como ele', para fazer grandes coisas."
E, por enquanto, David parece estar bem encaminhado rumo a este sonho.
Eloquente, sempre sorrindo e com um discurso articulado e surpreendente para sua pouca
idade, este menino de Querétaro, na região central do
México, conta casualmente que oferece conferências
em universidades e para organismos internacionais. E
está a ponto de publicar um livro.
Atualmente, David Camacho estuda em uma
escola internacional online, que o certificará para poder entrar na universidade. Ele fala espanhol, inglês,
francês e alemão e começou a estudar russo, português
e italiano.
Ele garante que é "um orgulho" ter um quociente de inteligência tão alto e o que ele mais aprecia
em ser uma criança com altas habilidades é poder entender tudo rápido e aprender de forma acelerada.
"Não são muitas as pessoas que nascem assim, de forma que eu gostaria de usar isso em favor das
crianças e do bem-estar da humanidade, deixar a minha marca", afirma ele.
Mas ele acredita que nem todos entendem o
que é ser um menino gênio.
"Muitas pessoas pensam que devemos saber
tudo, mas não somos adivinhos, é preciso que nos ensinem. Não significa que temos todas as respostas do
universo."
Sua mãe, Claudia Flores, recorda as primeiras
indicações que a fizeram pensar que havia algo especial
com David.
"Fazíamos uma longa viagem na estrada e ele
sabia cerca de 40 canções infantis", relembra ela.
"Nós o mandamos para a escola e ele ficou feliz por 15 dias. Mas, depois, começou a pedir: 'Me
passe para as crianças maiores, quero aprender mais'."
"Aquilo me entediava muito", confirma ele.
Mas o momento decisivo chegou com a pandemia de covid-19. Sua mãe se sentou ao seu lado enquanto ele fazia as aulas online e percebeu que era verdade que ele aprendia muito rapidamente, em comparação com as outras crianças.
Mas, apesar de todas as suas conquistas, chegar até aqui não foi fácil para David. Ele conta que sofreu muito naquela que era a escola dos seus sonhos.
"As outras crianças não entendiam por que
alguém que acabava de entrar na escola conseguia saber mais coisas do que eles, nem como podia fazer tantas coisas", explica ele. "E a sua forma de demonstrar
isso era me fazendo bullying."
Ele decidiu recentemente aproveitar esta má
experiência para dar a volta por cima e empregá-la para
desenvolver o aplicativo Macayos, que estará disponível ao longo deste ano. Ele o define como "a primeira
plataforma digital mexicana criada com inteligência artificial, que ensina às crianças, de forma divertida, capacidades para saber gerenciar suas emoções". David
Camacho pede a todos os que praticam bullying com
crianças como ele que sejam empáticos e inclusivos.
Durante toda a entrevista, David Camacho
fala com muita rapidez. Ele pula de um tema para outro com facilidade e retorna, se achar que se esqueceu de
mencionar algo importante.
Claudia Flores reconhece que ser mãe de um
menino como ele é um grande desafio. "Ser a mãe de
Edgar David Camacho Flores é muito fácil, pois ele é um
menino tranquilo, nobre e amoroso. Mas ser mãe de
David da Vinci é o desafio, pois ele é acelerado, anda
correndo..."
"Eu digo que ele tem dois esquilos naquela
cabecinha. Mas ele responde que não, que tem um
computador quântico", conclui a mãe, sorrindo.