Durante uma consulta de seguimento de uma jovem de 19 anos c...

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Q3833595 Medicina
Durante uma consulta de seguimento de uma jovem de 19 anos com queixas inespecíficas de cefaleia e insônia, o médico suspeita de violência por parceiro íntimo.
Aplicando as técnicas de comunicação clínica e os conceitos de ciclo de violência, qual deve ser a conduta do profissional?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Na suspeita de violência por parceiro íntimo na APS, em uma jovem com queixas inespecíficas e sem relato confirmado, a conduta decisiva é garantir privacidade, usar escuta empática e validar o relato quando ele surgir, reconhecendo também formas não físicas de violência; isso aponta para a alternativa C.

Tema central: Violência por parceiro íntimo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque investigar agressões na presença do parceiro viola o critério central de privacidade na entrevista, inibe o relato e pode aumentar o risco de retaliação. A prioridade inicial é oferecer um ambiente protegido para identificação e cuidado, não fazer interrogatório imediato para notificação.
B
Errada
Está errada porque violência por parceiro íntimo não deve ser manejada como conflito conjugal passível de conciliação na UBS. Assumir papel de mediador ignora a assimetria de poder própria da violência e pode ampliar o risco para a vítima.
C
Certa
A alternativa C descreve a conduta clinicamente segura e tecnicamente adequada para a abordagem inicial: esperar um momento de privacidade, utilizar comunicação acolhedora e não julgadora e, se houver relato compatível, reconhecer ativamente que se trata de violência e que isso não é banal. Esse manejo favorece a revelação do sofrimento, reduz a culpabilização e evita expor a paciente ao possível agressor. Também está de acordo com o conceito de violência por parceiro íntimo, que não se limita a lesões físicas.
D
Errada
Está errada porque acionamento policial imediato e automático não é a primeira medida clínica padrão na suspeita de violência por parceiro íntimo. O manejo inicial é acolhimento, avaliação de risco e proteção centrada na paciente.
E
Errada
Está errada porque humilhação verbal e controle financeiro são formas reconhecidas de violência por parceiro íntimo, com relevância clínica e epidemiológica. Exigir sinais físicos para considerar o problema ignora a definição clínica ampliada da violência.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre investigar violência e fazê-lo de modo seguro: quem esquece que a abordagem inicial exige privacidade, validação e reconhecimento de violência não física tende a escolher exposição ao parceiro, conciliação do casal ou resposta policial automática.
Dica para questões semelhantes
  • Em suspeita de violência por parceiro íntimo, primeiro confira se a alternativa protege a privacidade da entrevista; sem isso, a abordagem tende a estar errada.
  • Validação do relato e postura não julgadora fazem parte do manejo técnico.
  • Se a alternativa reduz violência a lesão corporal visível, descarte: violência psicológica, coerção e controle econômico também contam.
  • Desconfie de opções que transformam a UBS em espaço de conciliação do casal ou substituem acolhimento clínico por intervenção policial automática.

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