Um paciente de 62 anos, com histórico de AVC isquêmico prévi...

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Q3833577 Medicina
Um paciente de 62 anos, com histórico de AVC isquêmico prévio de etiologia aterotrombótica há 6 meses, retorna para acompanhamento longitudinal com o médico de família. Ele apresenta hipertensão e diabetes melito tipo 2. Para a prevenção secundária eficaz e redução do risco de recorrência, qual conjunto de metas e condutas deve ser rigorosamente perseguido pelo médico, conforme as diretrizes de prevenção secundária?
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Em AVC isquêmico prévio de etiologia aterotrombótica, a prevenção secundária é guiada por doença aterosclerótica estabelecida: estatina de alta intensidade com meta de LDL-C < 70 mg/dL, sem indicação rotineira de anticoagulação, e sem indicação de endarterectomia para estenose carotídea < 50%.

Tema central: Prevenção secundária do AVC isquêmico aterotrombótico
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe metas permissivas para um paciente em prevenção secundária após AVC aterotrombótico: PA de 140/90 mmHg e HbA1c < 8% não representam o controle intensivo cobrado. Além disso, condicionar estatina a LDL > 160 mg/dL contraria o critério decisivo da diretriz: AVC aterotrombótico prévio já configura doença aterosclerótica estabelecida e indica terapia hipolipemiante intensiva com meta de LDL < 70 mg/dL.
B
Errada
Está errada porque inverte a indicação da endarterectomia carotídea. O benefício da cirurgia ocorre em estenose carotídea sintomática importante, especialmente 70–99%, e não em estenose < 50%. Indicar endarterectomia para estenose leve como prevenção rotineira contraria diretamente a evidência resumida na base.
C
Errada
Está errada porque AVC aterotrombótico é um AVC não cardioembólico, cuja prevenção secundária antitrombótica padrão é feita com antiagregação plaquetária. Varfarina para todos os casos contraria a fisiopatologia do evento e a diretriz citada na base. Anticoagulação oral é reservada principalmente para cardioembolia ou outras indicações específicas, não para substituir rotineiramente antiagregação em doença aterotrombótica.
D
Certa
A alternativa D é a que melhor traduz a estratégia de prevenção secundária em paciente com AVC aterotrombótico prévio e alto risco vascular. Ela aponta terapia hipolipemiante intensiva com LDL < 70 mg/dL e controle mais rigoroso dos fatores de risco; para a glicemia, HbA1c em torno de 7% é a referência usual, com individualização conforme o cenário clínico. Isso está alinhado à diretriz AHA/ASA 2021 para reduzir recorrência em doença aterosclerótica estabelecida.
E
Errada
Está errada porque um novo AIT em paciente com AVC aterotrombótico não determina troca automática de AAS por varfarina isolada. A base afirma que recorrência em AVC não cardioembólico exige reavaliação etiológica, adesão e controle de fatores de risco, mantendo a lógica de antiagregação, não anticoagulação empírica. Além disso, INR de 1,5 a 2,0 não corresponde à faixa padrão de anticoagulação eficaz para a estratégia proposta.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre prevenção secundária de AVC aterotrombótico e manejo de cardioembolia: quem não separa antiagregação de anticoagulação erra; também induz ao erro quem usa metas gerais e frouxas de PA, HbA1c e LDL em vez de prevenção vascular intensiva.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro identifique a etiologia do AVC: se for aterotrombótico/não cardioembólico, a base antitrombótica é antiagregação, não varfarina rotineira.
  • Em AVC aterotrombótico prévio, pense em doença aterosclerótica estabelecida: estatina de alta intensidade com meta de LDL < 70 mg/dL.
  • Não aceite metas mínimas de população geral quando a questão pede prevenção secundária eficaz após AVC; o cenário cobra controle mais rigoroso de PA e HbA1c em torno de 7%.

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