Homem, hígido, 40 anos, é admitido em serviço de emergência ...

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Q3367358 Medicina
Homem, hígido, 40 anos, é admitido em serviço de emergência em vigência de sinais de choque hipovolêmico, saturação de O2 em 97%, mas redução do nível de consciência. Há algumas horas havia sido submetido a procedimento estético ambulatorial, contanto, com aumento submandibular difuso e hematoma cutâneo.  Há uma incisão pontual em mento.
Nesse caso, qual a melhor conduta?
Alternativas

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Tema central: hematoma cervical expansivo pós procedimento estético, com choque hipovolêmico e risco de via aérea. Situação típica de lesão vascular cervical iatrogênica (ex.: ramos da artéria facial/submentoniana) após incisão puntiforme em mento.

Raciocínio clínico essencial: o enunciado traz “choque”, “aumento submandibular difuso” e “hematoma cutâneo”. Mesmo com saturação 97%, há ameaça iminente à via aérea por compressão e sangramento ativo. Em paciente instável, a prioridade é controle imediato da hemorragia e descompressão cervical, sem atrasos para exames. Diretrizes ATLS e EAST recomendam exploração cirúrgica imediata diante de hematoma expansivo/choque por trauma cervical penetrante/iatrogênico (ATLS 10ª/11ª ed.; EAST Practice Management Guidelines; UpToDate; Sabiston Textbook of Surgery).

Alternativa correta: A - Cervicotomia exploradora imediata. Justifica-se pela instabilidade hemodinâmica e sinais de hematoma expansivo. A cervicotomia, em centro cirúrgico, permite: evacuar o hematoma, obter controle proximal e distal dos vasos suspeitos (ex.: facial/submentoniana/tireóidea superior), realizar hemostasia definitiva e, se necessário, assegurar a via aérea (intubação em sequência rápida com preparo para via aérea difícil ou cricotireoidostomia/traqueostomia). Referências: ATLS; UpToDate – Initial management of neck trauma; Sabiston; EAST.

Observação prática sobre via aérea: saturação normal não exclui colapso iminente. Em hematoma cervical, antecipar intubação difícil e preparar abordagem cirúrgica de via aérea se deteriorar. Não retardar a ida ao centro cirúrgico.

Análise das alternativas incorretas:

B - Compressas de gelo, transfusão e observação: conduta conservadora é inadequada em choque e hematoma expansivo. Transfusão sem hemostasia definitiva perpetua a hemorragia. Contraria ATLS/EAST.

C - Radioterapia hemostática: não tem papel em hemorragia aguda traumática/iatrogênica. É opção paliativa em sangramentos tumorais crônicos, não em emergência.

D - Angiografia para embolização: útil em pacientes estáveis ou sangramentos de difícil acesso; porém, em instabilidade/hematoma expansivo, cirurgia imediata é prioritária. Angio retardaria o controle do sangramento e a descompressão.

E - Explorar pela ferida operatória na sala de emergência: a incisão puntiforme não dá exposição adequada. O local correto é o centro cirúrgico, com campo, anestesia, instrumentais e possibilidade de controle vascular amplo e manejo da via aérea. Exploração inadequada aumenta risco de sangramento e lesões adicionais.

Dicas de prova (pegadinhas): não se deixe enganar por SpO2 “boa”; hematoma cervical pode fechar a via aérea rapidamente. Em choque + hematoma expansivo, não faça exames demorados nem observe: opere já.

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