Sobre o texto acima, é incorreto afirmar: 

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Q2094725 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.

Em termos gerais, parece haver dois métodos para reunir forças de combate – para convencer ou obrigar com sucesso coleções de homens a se envolverem no empreendimento violento, profano, sacrificial, incerto, masoquista e essencialmente absurdo conhecido como guerra. Os dois métodos levam a modos de guerrear distintos, e a distinção pode ser importante.

Intuitivamente, poderia parecer que o método mais fácil (e mais barato) para recrutar combatentes é alistar indivíduos que se deleitam com violência e a adotam rotineiramente, ou que a empregam para se enriquecerem ou as duas coisas. Na vida civil, temos um nome para essas pessoas – criminosos... Os conflitos violentos em que pessoas desse tipo são maioria podem ser chamados de guerras criminais, uma forma em que os combatentes são induzidos a causar violência primeiramente pelo divertimento e pelo proveito material que tiram da experiência.

Os exércitos de criminosos parecem surgir por dois processos. Às vezes, os criminosos – assaltantes, bandidos, aventureiros, sequestradores de cargas, vândalos, arruaceiros, salteadores, piratas, gangsters, indivíduos fora da lei – se organizam ou se juntam em gangues, bando ou máfias. Quando essas organizações se tornam suficientemente grandes, podem ficar parecidas com verdadeiros exércitos e agir praticamente da mesma forma como estes o fariam.

Alternativamente, os exércitos criminosos podem ser formados quando um governante precisa de combatentes para levar a termo uma guerra e conclui que empregar ou recrutar criminosos e bandidos é o método mais eficaz para conseguir isso. Neste caso, os criminosos e bandidos agem essencialmente como mercenários. 

Acontece, porém, que criminosos e bandidos tendem a ser guerreiros indesejáveis. Para começar, são frequentemente difíceis de controlar. São desordeiros, indisciplinados, desobedientes e rebeldes, cometendo frequentemente, em serviço ou fora dele, crimes não autorizados que podem ser prejudiciais ou mesmo deletérios para a ação militar.

O mais importante é que criminosos tendem a ser pouco dispostos a resistir e combater quando as situações se tornam perigosas, e muitas vezes simplesmente desertam, quando há uma oportunidade que coincide com seus caprichos. O crime comum, afinal de contas, faz vítimas entre os fracos – velhinhas e não atletas sarados – e criminosos com frequência mostram ser executores prontos e eficientes de pessoas indefesas. Mas quando aparecem os guardas, estão sempre prontos para fugir. O lema para o criminoso, afinal, não é uma variante de “Sempre fiéis”, “Um por todos e todos por um”, “Dever, honra, pátria”, “Banzai” ou “Lembrem-se de Pearl Harbour”, mas “Pega a grana e dá no pé” ...

Esses problemas com o emprego de criminosos como combatentes levaram a esforços para recrutar pessoas comuns – pessoas que, à diferença dos criminosos e bandidos, não cometem violências em nenhum outro momento da vida.

O resultado tem sido o desenvolvimento de um guerrear disciplinado, no qual os homens se infligem a violência em geral não por diversão e interesse, mas porque seu treinamento e doutrinação incutiram neles a necessidade de obedecer ordens; de observar um código de honra coerentemente orientado e cuidadosamente restritivo; de buscar a glória e a reputação em combate; de amar, honrar ou temer seus oficiais; de acreditar numa causa; de temer a vergonha, humilhação e custos da rendição; ou, em particular, de ser leal a e merecer a lealdade de seus companheiros de armas.

(MUELLER, John. Os remanescentes da guerra. In: PINKER, Steven. Guia de escrita: como conceber um texto com clareza, precisão e elegância. São Paulo: Contexto, 2018, p. 233-234).
Sobre o texto acima, é incorreto afirmar: 
Alternativas

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Comentário – Interpretação de Texto (Coesão e Coerência)

Tema central: A questão cobra do candidato habilidades de interpretação de texto, focando nos conceitos de coesão e coerência textual. É fundamental reconhecer como o autor organiza ideias e termos ligados a "guerra criminosa" e "guerra disciplinada", além de verificar se as afirmações das alternativas condizem logicamente — e textualmente — com o exposto.

Justificativa para a alternativa incorreta (gabarito: D):

A alternativa D afirma que grandes organizações criminosas nunca se assemelhariam a exércitos e não agiriam de forma similar. Essa afirmação é incoerente com o texto. No trecho: “Quando essas organizações se tornam suficientemente grandes, podem ficar parecidas com verdadeiros exércitos e agir praticamente da mesma forma como estes o fariam.”, o autor diz exatamente o oposto. Segundo a norma de coerência textual (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa), uma alternativa contraditória ao conteúdo é considerada incorreta.

Análise das outras alternativas:

A: Correta. Lista de termos (“homens comuns, treinamento, honra, glória...”) ligados ao tema de guerra disciplinada, em perfeita coesão lexical, exatamente como apresentado no texto.

B: Correta. Destaca a organização coerente e coesiva entre os conceitos de "guerra criminosa" e "guerra disciplinada", localizados em parágrafos consecutivos com palavras-chave claras.

C: Correta. Identifica com precisão termos agrupados em torno do conceito de guerra criminosa, demonstrando coesão por associação lexical direta (exemplo: “criminosos”, “gangues”, “máfias”, “dar no pé”).

E: Correta. Interpreta corretamente que o autor mostra a necessidade de um exército disciplinado para o sucesso militar, dizem que um governante buscaria modos mais confiáveis de arregimentar forças.

Dicas para futuras questões:

Fique atento a negações absolutas (“nunca”, “jamais”), pois pegadinhas costumam se utilizar disso, invertendo a ideia real do texto. Identifique palavras-chave e relacione-as ao segmento temático correto. Use sempre a leitura atenta dos conectivos e marcadores textuais.

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Para o autor, grandes organizações criminosas nunca se assemelhariam a verdadeiros exércitos e não seriam capazes de agir de forma similar a estes

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