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Q2437814 Medicina

Uma primigesta de 23 anos e com 37 semanas de gestação dá entrada no centro obstétrico do Hospital Naval Marcílio Dias com queixa de elevação dos níveis pressóricos há dois dias, sendo a pressão arterial (PA) máxima domiciliar de 150x100 mmHg. Os níveis pressóricos da paciente durante a gestação sempre foram normais. Queixava-se no atendimento de cefaléia frontal, borramente visual e dor abdominal. Vitalidade fetal estava preservada à cardiotocografia, categoria 1, com contrações uterinas esporádicas. Exame físico sem sinais de trabalho de parto e tônus uterino normal. Foi realizada nova aferição de PA, em repouso, que se manteve em 150x100 mmHg. Exames laboratoriais apresentavam-se normais e EAS evidenciou presença de proteína. Com base nas informações apresentadas, assinale a opção que apresenta a conduta mais adequada para o caso.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade em gestante a termo (37 semanas). A questão aborda diagnóstico e conduta diante de quadro hipertensivo grave na gestação.

Justificativa da alternativa correta (C): A paciente apresenta pressão arterial elevada persistente (150x100 mmHg), proteinúria e sintomas de iminência de eclâmpsia (cefaleia, borramento visual, dor abdominal). Tais sintomas indicam pré-eclâmpsia grave, mesmo que a PA não tenha ultrapassado 160x110 mmHg, segundo o “Manual de Gestação de Alto Risco” do Ministério da Saúde (p. 85, 2012): “Sinais de gravidade como cefaleia persistente, distúrbios visuais e dor em epigástrio são indicações para interrupção imediata da gestação após estabilização materna”. A administração de sulfato de magnésio é essencial para a prevenção de convulsões (eclâmpsia), sendo padrão-ouro para profilaxia anticonvulsivante na obstetrícia. Após estabilizar, recomenda-se interrupção da gestação, pois mãe e feto não se beneficiam da manutenção da gestação frente ao risco de descompensação materna (parágrafo 6.7, mesmo manual).

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Cesariana de urgência sem estabilização aumenta os riscos maternos. O correto é estabilizar e avaliar via de parto. Pré-eclâmpsia grave não é indicação absoluta de cesariana.
  • B) Alta hospitalar e apenas antihipertensivo expõe a paciente a risco de evolução rápida para eclâmpsia. Casos graves requerem internação imediata.
  • D) Conduta expectante até 38 semanas é inadequada quando há sintomas de gravidade. O risco de complicações é maior do que o benefício do prolongamento gestacional.
  • E) Corticoterapia para maturidade pulmonar fetal é indicada apenas até 34 semanas. Nesta paciente, já está a termo, não há benefício comprovado.

Dica de prova: sempre que identificar sintomas de gravidade na gestação (cefaleia intensa, distúrbios visuais, dor em epigástrio/hipocôndrio direito), pense em interrupção da gestação após estabilização, independentemente da idade gestacional ≥ 34 semanas.

Protocolos consultados: Manual de Gestação de Alto Risco (Ministério da Saúde, 2012), UpToDate.

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