Em relação à função hepática em cães e gatos, segundo a aná...

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Q3365541 Biomedicina - Análises Clínicas
Em relação à função hepática em cães e gatos, segundo a análise laboratorial, é correto afirmar que a
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Tema central: interpretação de exames laboratoriais da função e lesão hepática em cães e gatos, diferenciando padrões hepatocelular (lesão) e colestático (fluxo biliar).

Alternativa correta: Belevação da bilirrubina direta (conjugada) indica colestase, isto é, dificuldade de excreção da bile, que pode ocorrer por obstrução intra‑hepática (p.ex., colangite, hepatite colestática, doença canalicular) e também por causas extra‑hepáticas (coledocolitíase, pancreatite). Na prática, a hiperbilirrubinemia conjugada é um marcador de colestase/obstrução biliar, frequentemente intra‑hepática nos pequenos animais. Associar com aumento de FA (ALP) e GGT reforça o padrão colestático. Referências: Ettinger & Feldman, Textbook of Veterinary Internal Medicine; Kaneko, Clinical Biochemistry of Domestic Animals; BSAVA Manual of Canine and Feline Clinical Pathology.

Por que as demais estão incorretas?

A) ALT elevada não é marcador de “insuficiência hepática”, mas de lesão hepatocelular. A ALT reflete dano de hepatócitos e não a capacidade funcional do fígado. Animais podem ter ALT muito alta e ainda manter função relativamente preservada. Em cães, ALT é mais específica que AST, mas não indica falência hepática. (Ettinger; Kaneko)

C) FA (ALP) elevada não é sempre indicativo de hepatopatia grave. Em cães, pode aumentar por isoenzima induzida por corticosteroides, por crescimento ósseo em jovens e por drogas (fenobarbital). Em gatos, pequenos aumentos já são relevantes devido à meia‑vida curta, mas a magnitude não define gravidade por si só. (BSAVA; Kaneko)

D) Hiperglicemia não é marcador precoce de doença hepática. Em felinos, o estresse causa hiperglicemia transitória. Na insuficiência hepática avançada, espera‑se mais frequentemente hipoglicemia pela redução da gliconeogênese. (Ettinger)

E) Insuficiência hepática crônica cursa tipicamente com hipoalbuminemia (síntese diminuída), não hiperalbuminemia. Hiperalbuminemia sugere desidratação ou causas raras, não doença hepática crônica descompensada. (Kaneko)

Estratégia para a prova: identifique o padrão do painel: - Hepatocelular: ALT/AST ↑ (lesão). - Colestático: ALP/GGT ↑ e bilirrubina direta ↑ (fluxo biliar comprometido). Atenção à pegadinha: “função hepática” ≠ “lesão hepática”; enzimas de lesão não medem função. A função é melhor inferida por albumina, ureia, glicose, colesterol e amônia/ácidos biliares.

Dica clínica: em gatos, esteatose hepática costuma ter ALP ↑ com GGT normal/levemente ↑; em colangite, ALP e GGT frequentemente ↑ juntos. Bilirrubina direta ↑ sugere colestase; diferenciar intra vs extra‑hepática com ultrassom e perfil clínico.

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Comentários

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A. atividade sérica da ALT (alanina aminotransferase) é um marcador altamente específico de insuficiência hepática.

  • Incorreta. A ALT é um marcador de lesão hepatocelular (dano aos hepatócitos), não de insuficiência hepática. Embora uma ALT muito elevada indique que as células do fígado estão sendo danificadas, o fígado pode ter uma grande capacidade de reserva funcional. A insuficiência hepática (perda da função) é avaliada por outros parâmetros, como bilirrubina, albumina, ureia, glicose e fatores de coagulação.

B. bilirrubina direta elevada no sangue indica obstrução biliar intra-hepática.

  • Correta. A bilirrubina direta (conjugada) é a forma de bilirrubina que já foi processada pelo fígado para ser excretada via bile. Se há uma obstrução no fluxo biliar (seja intra-hepática, dentro do fígado, ou extra-hepática, fora do fígado), a bile não consegue fluir adequadamente para o intestino, e a bilirrubina direta retorna para a circulação sanguínea, elevando seus níveis no sangue.

C. fosfatase alcalina elevada é sempre um indicativo de hepatopatia grave.

  • Incorreta. A fosfatase alcalina (FA) é uma enzima que pode estar elevada em doenças hepáticas (especialmente colestase, ou seja, problemas no fluxo biliar), mas também pode ser elevada em outras condições. Em cães e, em menor grau, em gatos, a FA também pode aumentar significativamente devido a doenças ósseas, a administração de certos medicamentos (como corticosteroides) ou mesmo em animais jovens em crescimento. Portanto, uma FA elevada não indica "sempre" hepatopatia grave.

D. hiperglicemia é um marcador precoce de doença hepática.

  • Incorreta. A hiperglicemia (glicose alta) não é um marcador precoce de doença hepática. Na verdade, em estágios avançados de insuficiência hepática grave, o fígado pode ter dificuldade em produzir glicose (gliconeogênese), levando à hipoglicemia (glicose baixa), que é um sinal prognóstico ruim. A hiperglicemia é mais comumente associada a diabetes mellitus ou estresse.

E. hiperalbuminemia sempre ocorre em insuficiência hepática crônica.

  • Incorreta. A albumina é uma proteína produzida pelo fígado. Em casos de insuficiência hepática crônica (quando o fígado perde sua capacidade funcional de forma prolongada), a produção de albumina pode ser comprometida, resultando em hipoalbuminemia (baixa concentração de albumina no sangue), e não hiperalbuminemia. A hiperalbuminemia é rara e geralmente associada à desidratação.

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