Um casal procura atendimento por infertilidade há 24 meses. ...

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Q3833568 Medicina
Um casal procura atendimento por infertilidade há 24 meses. A mulher tem 32 anos, ciclos regulares de 28–30 dias, sem dismenorreia significativa e sem histórico de cirurgia pélvica. IMC 23 kg/m². O parceiro tem 35 anos, sem comorbidades e sem uso de medicamentos. USG TV com útero normal; contagem de folículos antrais de 18.TSH e prolactina normais, histerossalpingografia com trompas pérvias. Hormônio Antimuleriano 2,8ng/mL. Espermograma normal.  
Qual é a conduta inicial mais apropriada? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A investigação básica do casal está normal: mulher de 32 anos com ciclos regulares, reserva ovariana preservada, útero normal, trompas pérvias, TSH e prolactina normais, e espermograma normal. Isso caracteriza infertilidade sem causa aparente, cujo manejo inicial entre as alternativas é tratamento de baixa complexidade, tipicamente inseminação intrauterina.

Tema central: Infertilidade sem causa aparente
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por dois motivos médicos objetivos. Primeiro, a premissa da alternativa é falsa: o enunciado informa espermograma normal, portanto não há fator masculino subfértil demonstrado. Segundo, na infertilidade sem causa aparente em mulher jovem com avaliação favorável, não se justifica iniciar diretamente com FIV, que é método de maior complexidade sem critério apresentado no caso.
B
Errada
Está errada porque não há fundamento para adiar a conduta apenas para repetir um espermograma já descrito como normal. A repetição compulsória faria sentido diante de alteração seminal, resultado limítrofe ou suspeita de coleta inadequada, o que não foi fornecido no caso. Com investigação básica normal, a propedêutica já permite definir a conduta inicial.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o caso preenche os critérios de infertilidade sem causa aparente após propedêutica básica normal, sem fator masculino, tubário, ovulatório, uterino ou endocrinológico identificado. Como a paciente é jovem, tem boa reserva ovariana e trompas pérvias, não há indicação imediata de método de alta complexidade; entre as opções oferecidas, a IIU é a abordagem inicial coerente com o escalonamento terapêutico nesse cenário.
D
Errada
Está errada porque clomifeno é indicado para indução de ovulação em disfunção ovulatória, e o caso não mostra esse problema. Os ciclos regulares de 28–30 dias, com TSH e prolactina normais, favorecem ovulação preservada. Portanto, tratar como anovulação contraria o dado clínico decisivo do enunciado.
E
Errada
Está errada porque laparoscopia diagnóstica não é exame inicial de rotina quando não há sinais clínicos que sustentem doença pélvica oculta. A paciente não tem dismenorreia significativa, não tem história de cirurgia pélvica, e a histerossalpingografia mostra trompas pérvias. Nesse contexto, submeter a paciente a investigação invasiva antes de tentar tratamento de baixa complexidade é inadequado.
Pegadinha da questão
A banca mistura tempo de infertilidade de 24 meses com a falsa ideia de que isso obriga FIV, e também testa se o candidato percebe que ciclos regulares e exames normais definem infertilidade sem causa aparente, não fator masculino nem anovulação.
Dica para questões semelhantes
  • Feche primeiro a classificação sindrômica: se ovulação, trompas, útero, hormônios básicos e espermograma estão normais, pense em infertilidade sem causa aparente.
  • Na ausência de indicação imediata de alta complexidade, prefira a lógica de escalonamento terapêutico: método menos invasivo antes de FIV.
  • Não indique indutor de ovulação como tratamento etiológico quando o caso é de mulher presumidamente ovulatória.
  • Não peça laparoscopia de rotina na infertilidade sem sinais clínicos de endometriose, aderências ou doença tubária.

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