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Q3833567 Medicina
Uma mulher de 22 anos, previamente saudável, procura o pronto-atendimento com dor pélvica intensa há 3 dias, pior à mobilização. Refere corrimento amarelado, febre de 38,5 °C e sangramento intermenstrual leve. Nega uso de DIU. Ao exame físico, apresenta dor à mobilização do colo uterino, dor anexial bilateral e sensibilidade abdominal inferior sem sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais: leucócitos: 14.800/mm³, PCR: 6 mg/dL, β-hCG: negativo, testes para clamídia e gonococo: coletados, resultado pendente. Ultrassonografia transvaginal com espessamento das tubas uterinas, sem abscesso e leve líquido livre em fundo de saco. A paciente se mantém estável hemodinamicamente e tolera via oral. 
Qual é a conduta mais adequada nesse momento segundo diretrizes atuais? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pelas diretrizes do CDC 2021 e pelos fluxogramas do Ministério da Saúde para DIP, a presença de dor pélvica com dor à mobilização do colo e dor anexial em paciente estável, sem abscesso tubo-ovariano, sem peritonite e com tolerância à via oral, indica tratamento empírico imediato em regime ambulatorial; por isso, entre as alternativas, a conduta correta é a B.

Tema central: DIP ambulatorial inicial
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe internação e esquema parenteral para um caso sem critérios de hospitalização. A base é explícita: ausência de abscesso tubo-ovariano, estabilidade hemodinâmica, ausência de irritação peritoneal e tolerância à via oral favorecem manejo ambulatorial. Febre, leucocitose e dor intensa, isoladamente, não obrigam internação.
B
Certa
A alternativa B acerta o núcleo da conduta indicada: iniciar antibioticoterapia empírica imediatamente em regime ambulatorial para DIP leve a moderada, com cobertura para gonococo e clamídia, sem esperar o resultado dos testes. O quadro clínico já preenche critério sindrômico de DIP, reforçado por febre, leucocitose, PCR elevada e espessamento tubário ao ultrassom. A paciente não apresenta critérios formais de internação descritos na base. Há uma lacuna em relação à diretriz atual, que prefere associar metronidazol, mas entre as opções oferecidas esta é a que melhor corresponde à recomendação correta.
C
Errada
Está errada porque a DIP é diagnóstico clínico-sindrômico e o tratamento deve ser presumptivo. Aguardar o resultado para clamídia e gonococo contraria a diretriz citada na base e posterga antibiótico em situação na qual o atraso aumenta risco de sequelas reprodutivas.
D
Errada
Está errada porque doxiciclina isolada não cobre adequadamente gonococo e não contempla a natureza polimicrobiana da DIP. A ausência de abscesso não transforma DIP em infecção tratável por monoterapia. A base afirma necessidade de cobertura combinada com cefalosporina e, idealmente, também metronidazol.
E
Errada
Está errada porque suspender antibiótico e repetir ultrassom em 48 horas adia indevidamente o tratamento. O ultrassom pode apoiar o diagnóstico, mas não é requisito para iniciar terapêutica quando já há dor pélvica, dor à mobilização do colo, dor anexial e marcadores inflamatórios compatíveis com DIP. A ausência de abscesso não exclui o diagnóstico.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre gravidade inflamatória e necessidade de internação: febre e leucocitose chamam atenção, mas o critério decisivo é a ausência de sinais de complicação ou incapacidade para tratamento oral. Outra pegadinha é que a melhor alternativa disponível não reproduz integralmente a diretriz atual, porque omite metronidazol.
Dica para questões semelhantes
  • Em suspeita clínica de DIP, não espere teste para clamídia ou gonococo para começar antibiótico.
  • Antes de indicar internação, procure os critérios de gravidade da base: abscesso, instabilidade, peritonite, impossibilidade de excluir urgência cirúrgica, gestação, intolerância à via oral ou falha ambulatorial.
  • Doxiciclina isolada não resolve DIP; pense em cobertura para gonococo e no caráter polimicrobiano do quadro.

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