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Q3833565 Medicina
Uma paciente de 29 anos, G0P0, procura consulta relatando irritabilidade intensa, labilidade emocional, sensação de “inchaço”, cefaleia e hipersensibilidade mamária que surgem regularmente cerca de 7 dias antes da menstruação e cessam completamente no primeiro dia do fluxo. Refere prejuízo importante no trabalho e conflitos frequentes com familiares nesse período. Seu ciclo menstrual é regular, 28/28 dias. Nega uso de medicamentos, não faz terapia e não tem histórico psiquiátrico prévio. O quadro já permanece por alguns ciclos com impacto funcional significativo.
Considerando o quadro e as evidências atuais, qual é a conduta inicial mais adequada? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O padrão clínico é de síndrome pré-menstrual grave/transtorno disfórico pré-menstrual: sintomas cíclicos na fase lútea, remissão com a menstruação, predomínio afetivo e prejuízo funcional importante. Nessa situação, a conduta inicial mais adequada é ISRS, com possibilidade de uso intermitente na fase lútea, o que torna a alternativa B a correta.

Tema central: TDPM e tratamento inicial
Análise das alternativas
A
Errada
Benzodiazepínicos não são a terapia inicial de escolha nesse cenário. O problema central não é uma ansiedade inespecífica isolada, mas um transtorno cíclico com predomínio afetivo e prejuízo funcional, para o qual ISRS têm melhor sustentação terapêutica. Além disso, benzodiazepínicos trazem risco de sedação, tolerância e dependência sem tratar adequadamente o núcleo do quadro.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro descrito é clinicamente compatível com síndrome pré-menstrual grave/transtorno disfórico pré-menstrual, em que os sintomas emocionais são o núcleo do problema e há repercussão funcional relevante. Nessa situação, os ISRS são tratamento de primeira linha e podem ser administrados apenas na fase lútea, o que responde diretamente ao padrão cíclico dos sintomas descritos.
C
Errada
Contraceptivo combinado não pode ser tratado aqui como equivalente à primeira linha. Pela base, o benefício depende da formulação, e a combinação com etinilestradiol 20 mcg e levonorgestrel não é a opção mais sustentada entre as alternativas para sintomas disfóricos importantes. Diante de predomínio afetivo com impacto funcional, ISRS é a escolha inicial mais bem fundamentada.
D
Errada
O diagnóstico é clínico, baseado na recorrência dos sintomas na fase lútea e na resolução com a menstruação. Dosagens séricas de progesterona e estradiol não confirmam síndrome pré-menstrual nem transtorno disfórico pré-menstrual. Solicitar esses exames nesse quadro típico acrescenta investigação sem utilidade confirmatória e não define a conduta correta.
E
Errada
Espironolactona pode ajudar em retenção hídrica e sensação de inchaço, mas isso não resolve o núcleo do quadro descrito, que é dominado por irritabilidade intensa, labilidade emocional e prejuízo funcional. Portanto, há inadequação entre o mecanismo do fármaco e o conjunto sintomático predominante, o que exclui seu uso como primeira linha para todos os sintomas.
Pegadinha da questão
A banca mistura sintomas físicos como inchaço e mastalgia com sintomas afetivos intensos, mas o que define a melhor conduta é o predomínio emocional com prejuízo funcional em padrão cíclico típico. Outra confusão explorada é supor que a relação com o ciclo exige confirmação por dosagem hormonal, o que não procede.
Dica para questões semelhantes
  • Se os sintomas aparecem na fase lútea, desaparecem com a menstruação e causam prejuízo funcional, pense em síndrome pré-menstrual grave/TDPM e valorize o componente afetivo.
  • Em quadro típico, o diagnóstico é clínico; dosagens de estradiol e progesterona não confirmam esse diagnóstico.
  • Quando houver irritabilidade, labilidade emocional e impacto funcional importantes, ISRS é a primeira linha; o uso intermitente na fase lútea é uma possibilidade válida.
  • Não iguale terapias sintomáticas ao tratamento do quadro global: diurético pode aliviar inchaço, mas não substitui tratamento do núcleo afetivo.

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