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Q3192630 Medicina
Considerando as recomendações atuais para o uso de hemoderivados em UTI, qual das seguintes alternativas é a mais correta? 
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Tema central: uso racional de hemoderivados em UTI, com ênfase em limiares transfusionais e indicações específicas (concentrado de hemácias, PFC e plaquetas), conforme diretrizes atuais.

Alternativa correta: D — Em pacientes críticos com doença cardiovascular pré-existente, adota-se alvo de hemoglobina ≥ 8 g/dL. Evidência: diretrizes da AABB (2016, atualizadas em 2023, JAMA) recomendam estratégia restritiva, com limiar de 7 g/dL na maioria dos críticos e 8 g/dL em pacientes com doença cardiovascular estabelecida ou pós-operatório de cirurgia cardíaca. Ensaios como TRICC (NEJM 1999) e TRISS (NEJM 2014, sepse/choque séptico) sustentam a segurança da estratégia restritiva. A Surviving Sepsis Campaign 2021 corrobora limiar de 7 g/dL após ressuscitação inicial, com individualização em isquemia/ doença CV.

Como pensar na prova: identifique palavras-chave de limiar e contexto clínico. Doença cardiovascular muda o alvo para 8 g/dL. Sepse sem isquemia: 7 g/dL. Evite generalizações “para todos”.

Análise das alternativas incorretas

A — “Sempre esperar Hb < 7 g/dL, independentemente de choque/hipoperfusão.” Incorreto. Em choque, isquemia ativa ou hipoperfusão persistente, pode ser necessário transfundir com Hb acima de 7 g/dL, individualizando. AABB e Surviving Sepsis recomendam 7 g/dL após estabilização; antes disso, o contexto hemodinâmico pode justificar limiar maior.

B — “PFC como primeira linha para INR < 1,5.” Errado. PFC não corrige de forma significativa INR levemente elevado e expõe a riscos (sobrecarga, TRALI). Indicado quando INR ≥ 1,5–1,8 com sangramento ativo ou pré-procedimento de alto risco, ou em deficiência múltipla de fatores (ex.: CIVD), não para INR normal/levemente alterado. Referências: BSH/AABB; UpToDate.

C — “Transfundir plaquetas < 50.000/mm³ mesmo sem sangramento.” Inadequado. Limiares usuais: <10.000/mm³ profilático (estável); <20.000/mm³ se febre/sepsis ou risco adicional; <50.000/mm³ para procedimentos invasivos ou se há sangramento ativo. Transfundir rotineiramente com 50 mil sem sangramento não é recomendado. Diretrizes: BSH 2016/2020; AABB/ASH.

E — “Usar diurético de alça profilático em todos.” Falso. Não há evidência para uso universal. O risco é de hipovolemia/hipotensão. Considere caso a caso em pacientes com alto risco de TACO (sobrecarga circulatória associada à transfusão), usando velocidades lentas e dividir unidades, conforme AABB/UpToDate.

Pegadinha clássica: “um único limiar para todos.” Em UTI, o limiar de 7 g/dL é a regra geral, mas doença cardiovascular, isquemia e procedimentos ajustam a conduta.

Para levar para a prática: confirme contexto clínico, avalie risco/benefício da transfusão, e siga limiares: CH 7 g/dL (8 g/dL se doença CV), PFC apenas em coagulopatia significativa com sangramento/procedimento, e plaquetas conforme contagem e cenário de risco.

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