Paciente 22 anos, 39ª semana de gravidez, tercigesta e primí...

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Q3833543 Medicina
Paciente 22 anos, 39ª semana de gravidez, tercigesta e primípara, índice de massa corpórea de 30 kg/m2, foi admitida na emergência obstétrica com dor em baixo ventre. Ao exame: dinâmica uterina 4 contrações/ 10 minutos/ 50 segundos, batimentos cardio fetais (BCF) de 100 bpm, pressão arterial de 110 x 80 mmhg e toque vaginal com colo dilatado para 10 cm, bolsa rota com líquido claro e grumos e feto em + 3 de De Lee e OP. A paciente foi levada a sala de parto com urgência, onde não houve melhora dos BCF e nem progressão na descida fetal.
Assinale a alternativa CORRETA com relação ao parto e avaliação do risco fetal durante o período expulsivo do trabalho de parto.   
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No período expulsivo, a combinação de dilatação total, bolsa rota, apresentação cefálica muito baixa em +3 de De Lee, ausência de progressão da descida e BCF persistente em 100 bpm caracteriza necessidade de abreviação imediata do parto; como os pré-requisitos técnicos para parto operatório vaginal estão presentes e a cabeça já está baixa, a resolução correta é extração vaginal instrumental, o que leva ao fórceps de Simpson entre as opções dadas.

Tema central: Parto operatório vaginal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque, com colo totalmente dilatado e apresentação em +3 de De Lee, a cabeça já desceu amplamente, o que torna desproporção cefalopélvica verdadeira improvável como explicação principal. Nesse cenário, com sofrimento fetal e parto vaginal iminente, a via de abreviação adequada é vaginal instrumental, não cesariana.
B
Errada
Está errada porque o quadro não é de simples observação com medidas de suporte. BCF de 100 bpm persistente no expulsivo, sem melhora e sem progressão da descida, sugere comprometimento fetal e impõe resolução imediata do parto. Além disso, a alternativa descreve 'desconforto respiratório', que não corresponde ao evento fetal apresentado.
C
Certa
A alternativa correta é a que reconhece indicação de parto operatório vaginal no expulsivo por sofrimento fetal intraparto. O enunciado traz os elementos técnicos exigidos para fórceps: dilatação completa, membranas rotas, apresentação cefálica baixa/muito baixa, posição conhecida e necessidade de abreviar o parto por bradicardia fetal persistente associada à falta de progressão. A estação +3 indica cabeça muito baixa, próxima ao desprendimento, o que favorece extração instrumental imediata em vez de cesariana. Entre as opções, o fórceps de Simpson é o instrumento compatível com apreensão e tração de cabeça moldada em apresentação cefálica baixa. A justificativa escrita na alternativa menciona distocia de ombro, mas esse diagnóstico não é sustentado pelo caso; ainda assim, o procedimento listado é o único compatível com a resolução correta, razão pela qual o gabarito oficial é C.
D
Errada
Está errada porque não há base clínica no enunciado para rotura uterina: faltam sinais maternos ou mecânicos sugestivos dessa catástrofe obstétrica. Além disso, o fórceps de Kielland é classicamente instrumento de rotação, especialmente em posições transversas ou assinclitismo, e não é a resposta conceitualmente adequada para o diagnóstico proposto na alternativa.
E
Errada
Está errada por dois motivos médicos objetivos: distocia de ombro não está caracterizada e cesariana não é a via apropriada neste momento. Distocia de ombro é diagnosticada após o desprendimento da cabeça fetal com dificuldade para saída dos ombros, o que não ocorreu no caso. Além disso, com cabeça em +3 e expulsivo avançado, a resolução correta é abreviação vaginal instrumental quando há condições técnicas.
Pegadinha da questão
A banca misturou procedimento correto com justificativa errada na alternativa C: o caso não descreve distocia de ombro, mas descreve claramente sofrimento fetal no expulsivo com cabeça muito baixa, o que indica fórceps. Quem se prende apenas ao nome da complicação erra a questão.
Dica para questões semelhantes
  • No expulsivo, BCF persistentemente alterado com ausência de progressão da descida significa abreviar o parto, não aguardar.
  • Estação +3 de De Lee favorece parto operatório vaginal quando há dilatação completa, bolsa rota e posição conhecida.
  • Distocia de ombro só entra no diagnóstico depois que a cabeça sai e os ombros não desprendem; antes disso, não explica o quadro.
  • Occípito-posterior isoladamente não define cesariana se a cabeça está muito baixa e há condições para extração instrumental.

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