Paciente 35 anos, tercigesta e primípara (parto vaginal ante...

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Q3833534 Medicina
Paciente 35 anos, tercigesta e primípara (parto vaginal anterior á fórceps), chega a emergência obstétrica na 37ª semana de gravidez, com queixa de dor em baixo ventre. Refere está fazendo pré natal na unidade básica de saúde, sem intercorrência. Nega outras queixas e uso de medicações. No cartão de pré natal apresenta uma curva glicêmica realizada com 75g de dextrosol com resultado: jejum 87 mg/dL; 1h 185 mg/dL; 2h 155 mg/dL. O médico assistente solicita um hemoglicoteste (HGT) e uma ultrassonografia (USG). HGT: 143 mg/dL (após uma hora de jejum). Ultrassonografia: peso fetal estimado no percentil 92 e maior bolsão de 8,1 cm. Ao exame: dinâmica uterina ausente, batimentos cardio fetais de 136 bpm e pressão arterial de 120 x 70 mmHg. O toque vaginal evidenciou colo posterior e pérvio 2 cm de dilatação, com 50% de apagamento, cefálico e insinuado, bolsa das águas íntegra. 
Assinale a alternativa CORRETA quanto à conduta. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Gestante com diabetes gestacional confirmado pelo TOTG 75 g alterado, sem indicação absoluta de cesariana, com repercussão fetal sugerida por peso estimado no percentil 92 e maior bolsão de 8,1 cm, e com colo desfavorável; nessa combinação, a conduta é interrupção por indução com preparo cervical, favorecendo prostaglandina.

Tema central: Indução do parto no diabetes gestacional
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a conduta expectante até 39 semanas é a regra para DMG bem controlado e sem complicações, mas o enunciado traz repercussões fetais atribuíveis ao diabetes gestacional: peso fetal estimado no percentil 92 e maior bolsão de 8,1 cm. Esses achados enfraquecem a espera simples e sustentam interrupção individualizada já com 37 semanas.
B
Errada
Está errada porque diabetes gestacional, mesmo com feto grande para a idade gestacional, não é indicação automática de cesariana. O caso não traz sofrimento fetal, não descreve macrossomia extrema, não mostra trabalho de parto obstruído e a apresentação é cefálica. Portanto, falta critério obstétrico consistente para indicar cesariana imediata.
C
Errada
Está errada porque a escolha do método de indução depende do estado do colo. Aqui não há trabalho de parto e o colo é posterior, com 2 cm e 50% de apagamento, o que indica necessidade de maturação cervical. A ocitocina isolada é mais apropriada quando o colo já é favorável ou após ripening cervical prévio.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o enunciado já fecha diabetes gestacional pelo TOTG 75 g: basta um valor alterado, e aqui há dois (1 hora = 185 mg/dL e 2 horas = 155 mg/dL). Além disso, há sinais de repercussão fetal relacionados à hiperglicemia materna, com feto grande para a idade gestacional e aumento do líquido amniótico, o que sustenta resolução individualizada em vez de simples expectativa. Como não há sofrimento fetal, apresentação anômala, desproporção evidente ou outro critério formal de cesariana, a via vaginal continua possível. O ponto decisivo então passa a ser o colo: posterior, 2 cm e 50% de apagamento, quadro que não favorece ocitocina isolada. Nessa combinação de necessidade de indução e colo desfavorável, a prostaglandina é o método farmacológico de escolha para amadurecimento cervical e desencadeamento do trabalho de parto.
E
Errada
Está errada porque, entre as opções apresentadas para colo desfavorável, a resposta tecnicamente esperada pela questão é o preparo cervical com prostaglandina. A própria base informa que o método de Krause é historicamente descrito, mas não é o padrão privilegiado na resolução atual desse tipo de cenário.
Pegadinha da questão
A banca mistura duas confusões frequentes: fazer o candidato achar que toda gestante com DMG deve ir para cesariana e, ao mesmo tempo, fazer esquecer que o método de indução depende do colo uterino. O diagnóstico já estava definido pelo TOTG, não pelo HGT, e o dado decisivo para escolher a indução foi o colo desfavorável.
Dica para questões semelhantes
  • No TOTG 75 g para diabetes gestacional, um único valor alterado já confirma o diagnóstico.
  • Em DMG, a decisão não é só quando interromper; é também como interromper, e isso depende de repercussão fetal e do exame do colo.
  • Se houver indicação de indução e o colo estiver desfavorável, pense primeiro em maturação cervical, não em ocitocina isolada.
  • DMG com feto grande para a idade gestacional não equivale, por si só, a indicação formal de cesariana.

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