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Q3833532 Medicina
Paciente, 16 anos, primigesta e nulípara e na 34ª semana de gravidez. Foi encaminhada a emergência obstétrica para interrupção da gravidez. Nega hipertensão prévia, diabetes, cardiopatias e outras doenças. Ao exame geral, nada digno de nota. Ao exame obstétrico: dinâmica uterina, ausente; feto em situação transversa, apresentação córmica e alto e móvel; batimentos fetais de 136 bpm; altura de fundo uterino de 30 cm; e pressão arterial (PA) 160 x 90 mmHg (confirmada por duas vezes e após repouso em decúbito lateral esquerdo). Índice de massa corpórea 26,4 kg/m2. Proteinúria de fita +++/4+. A mesma foi internada, a gestação foi interrompida por cesariana sem intercorrências e iniciado sulfato de magnésio – MgSO4 (ataque: 6g e manutenção: 1g/h). Durante a primeira fase da manutenção do MgSO4, evoluiu com PA: 130 x 80 mmHg, frequência cardíaca de 120 bpm, frequência respiratória de 16 ipm, diurese de 10 ml/h e reflexos profundos ausentes.
Assinale a alternativa que representa a conduta CORRETA.  
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Durante infusão de MgSO4, a diurese de 10 mL/h e a ausência de reflexos profundos indicam acúmulo de magnésio por redução da excreção renal; como a frequência respiratória permanece preservada, a conduta compatível com o gabarito é suspender temporariamente o MgSO4, corrigir a oligúria com hidratação venosa e reavaliar para possível reintrodução após melhora da diurese e retorno dos reflexos.

Tema central: Toxicidade por magnésio
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por indicar suspensão definitiva do MgSO4. O quadro descrito sugere acúmulo reversível por oligúria, não contraindicação permanente ao magnésio. Em pré-eclâmpsia grave no pós-parto imediato, não se exclui a necessidade de profilaxia anticonvulsivante apenas porque houve toxicidade inicial reversível.
B
Errada
Erra ao tornar imediato o gluconato de cálcio como melhor conduta única neste cenário. A base sustenta que o cálcio é antídoto da toxicidade por magnésio, mas sua indicação é mais nitidamente mandatória quando há toxicidade clinicamente mais importante, sobretudo depressão respiratória. Aqui, a frequência respiratória está em 16 irpm, e o eixo decisivo da questão é suspender o MgSO4 e corrigir a oligúria antes de reintroduzir.
C
Errada
Está incorreta por dois motivos médicos: propõe suspensão definitiva sem justificativa, apesar de o risco de eclâmpsia persistir no puerpério imediato, e associa gluconato de cálcio imediato sem haver no enunciado depressão respiratória ou outra deterioração maior que sustente essa como conduta obrigatória.
D
Certa
A alternativa D é a que melhor corresponde ao quadro de suspeita de toxicidade magnésica não grave durante profilaxia de eclâmpsia. O ponto decisivo é que o magnésio é eliminado pelos rins, e a oligúria favorece seu acúmulo; a ausência de reflexos profundos é sinal clínico precoce desse excesso. Como o enunciado não descreve depressão respiratória, a leitura adotada pelo gabarito é de interrupção temporária da infusão, correção do fator favorecedor do acúmulo e reavaliação clínica. Também está correta ao não propor suspensão definitiva, porque o risco de eclâmpsia persiste no puerpério imediato e a profilaxia pode voltar a ser necessária após reversão do evento.
E
Errada
Está errada porque usa suspensão definitiva do MgSO4 e ancora a lógica na normalização da pressão arterial, o que não resolve o risco convulsivo da pré-eclâmpsia grave. A indicação do magnésio aqui não depende da PA momentânea, e a toxicidade descrita é potencialmente reversível após suspensão temporária e correção da oligúria.
Pegadinha da questão
A banca explora a diferença entre suspender imediatamente a infusão por suspeita de acúmulo/toxicidade e suspender definitivamente o esquema, além de induzir ao uso automático de gluconato de cálcio mesmo sem depressão respiratória descrita.
Dica para questões semelhantes
  • Durante uso de MgSO4, cheque o tripé de monitorização clínica: reflexos profundos, frequência respiratória e diurese.
  • Se houver oligúria, pense em redução da depuração renal do magnésio e risco de acúmulo.
  • Arreflexia durante infusão de MgSO4 aponta toxicidade precoce; a primeira medida é interromper a infusão e reavaliar.
  • Não confunda controle pressórico ou parto realizado com desaparecimento imediato do risco de eclâmpsia.

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