Paciente de 54 anos apresenta massa dolorosa na região ânter...

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Q3833830 Medicina
Paciente de 54 anos apresenta massa dolorosa na região ântero-lateral do hemitórax direito. A TC mostra lesão de 6,2 cm com destruição do arco costal e calcificações em "popcorn". A biópsia por agulha revela condrossarcoma grau II. O estudo pré-operatório mostra contato íntimo com o músculo peitoral maior, sem invasão evidente de pleura.
Em relação ao manejo cirúrgico e princípios oncológicos, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é que o condrossarcoma convencional de parede torácica exige ressecção cirúrgica ampla em bloco com margens negativas amplas, pois quimioterapia e radioterapia têm papel limitado e a recorrência local aumenta quando a excisão é inadequada. No caso, a lesão costal destrutiva com biópsia confirmando condrossarcoma grau II sustenta essa conduta.

Tema central: Ressecção ampla oncológica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe ressecção limitada ao arco costal acometido com preservação máxima de pericôndrio e músculos adjacentes. Esse raciocínio contraria o princípio central do condrossarcoma de parede torácica, no qual a recorrência local é problema relevante quando a margem é inadequada. O contato com o peitoral maior torna ainda mais inadequada uma preservação a priori de partes moles contíguas se isso comprometer a margem oncológica.
B
Errada
Está errada porque margem de 5 mm é estreita para esse cenário. A base é explícita ao afirmar que, em parede torácica, buscam-se margens em centímetros, não milímetros, e que a congelação intraoperatória não substitui o conceito de ressecção ampla macroscópica. O erro é transferir lógica de margem mínima de outros tumores para um sarcoma ósseo/cartilaginoso em que a amplitude da ressecção é decisiva.
C
Errada
Está errada porque atribui resposta significativa à quimiorradioterapia e usa isso para justificar neoadjuvância com posterior ressecção limitada. No condrossarcoma convencional grau II, quimioterapia e radioterapia têm eficácia limitada na maioria dos casos e não substituem nem reduzem de rotina a necessidade de cirurgia ampla. Essa alternativa confunde essa histologia com tumores ósseos mais quimiossensíveis.
D
Certa
A alternativa D traduz o manejo cirúrgico correto do condrossarcoma de parede torácica. Nessa histologia, o controle local depende da qualidade da primeira ressecção, que deve ser ampla e em bloco, com margem negativa ampla, classicamente em centímetros, e não apenas retirada focal da costela doente. Como o tumor destrói arco costal e tem contato íntimo com o peitoral maior, a lógica oncológica exige incluir costelas adjacentes e tecidos moles envolvidos ou contíguos quando necessário para garantir margem adequada. Isso é exatamente o oposto de uma cirurgia econômica e também explica por que não se deve contar com quimio ou radioterapia para compensar margem insuficiente.
E
Errada
Está errada porque nega de forma categórica a reconstrução em defeitos maiores que 5 cm. A base afirma que a reconstrução pode ser indicada após ressecções extensas conforme tamanho, localização e repercussão funcional do defeito. Portanto, não existe a regra de que defeitos maiores que 5 cm não devem ser reconstruídos; ao contrário, defeitos extensos podem exigir reconstrução para estabilidade da parede torácica e mecânica ventilatória.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre diagnóstico de tumor cartilaginoso e princípio cirúrgico: o candidato que reconhece o condrossarcoma, mas esquece que ele é relativamente resistente a quimio/radioterapia e exige ressecção inicial ampla, tende a aceitar margem pequena ou ressecção econômica.
Dica para questões semelhantes
  • Em condrossarcoma convencional de parede torácica, pense primeiro em controle local por cirurgia ampla em bloco, não em tratamento neoadjuvante rotineiro.
  • Se a alternativa falar em margens em milímetros para sarcoma costal/cartilaginoso, confronte com o princípio correto: margem ampla em centímetros.
  • Contato ou contiguidade com partes moles adjacentes pesa a favor de ampliar a ressecção, não de preservar tecidos a qualquer custo.
  • Reconstrução da parede torácica não se decide por regra fixa isolada; depende da extensão, localização e impacto funcional do defeito.

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