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Q3989348 História
“Foi, porém, a partir dos anos 1960 que intelectuais nacionalistas e de esquerda do Rio da Prata promoveram Solano López a líder anti-imperialista. Esse revisionismo que, com o tempo, descambou para posturas populistas, apresenta o Paraguai pré-guerra como um país progressista, onde o Estado teria proporcionado a modernização do país e o bem-estar de sua população, fugindo à inserção na economia capitalista e à subordinação à Inglaterra. Por essa explicação, Brasil e Argentina teriam sido manipulados por interesses britânicos para aniquilar o desenvolvimento autônomo paraguaio.”

DORATIOTO, Francisco. Maldita Guerra: nova história
da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das
Letras, 2002. p. 19
A partir da crítica exposta no trecho e à luz das abordagens historiográficas mais recentes, deve-se atribuir à origem da Guerra do Paraguai o seguinte ponto:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A questão exigia comparar a crítica ao revisionismo do trecho com a alternativa que desloca a origem da guerra para o contexto regional do Prata. Nesse critério, apenas a letra D atende ao comando.

Tema central: Guerra do Paraguai
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque substitui a explicação historiográfica recente por um suposto plano estratégico de oligarquias regionais contra o Império brasileiro. Esse recorte não corresponde ao núcleo explicativo sustentado pela base, que é a construção e consolidação dos Estados nacionais no Prata.
B
Errada
Está errada porque desloca a origem da guerra para conflitos diplomáticos entre países europeus e ditaduras paraguaias. Isso contraria diretamente a chave regional destacada pela base e não responde ao problema histórico proposto.
C
Errada
Está errada porque, embora mencione pretensões expansionistas paraguaias, vincula o conflito à preservação de um crescimento industrial e exportador paraguaio. Esse ponto retoma a imagem revisionista de um Paraguai autônomo e economicamente singular, justamente criticada no trecho.
D
Certa
A alternativa D está correta porque vincula a Guerra do Paraguai ao processo de construção dos Estados nacionais no Rio da Prata, leitura compatível com a crítica feita no texto à tese anti-imperialista revisionista, que atribuía o conflito a uma destruição externa de um suposto desenvolvimento autônomo paraguaio.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi oferecer alternativas com elementos parcialmente plausíveis, mas misturados a explicações revisionistas ou deslocadas do eixo regional do Prata.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado critica expressamente uma corrente historiográfica, procure a alternativa que adota a chave explicativa oposta indicada no próprio texto.
  • Em questões sobre a Guerra do Paraguai, diferencie explicação central regional de explicações externalistas; a base privilegia as dinâmicas políticas do Prata e a consolidação estatal.
  • Desconfie de alternativas que combinem um dado parcialmente plausível com pressupostos revisionistas rejeitados, porque a mistura costuma invalidar a opção.

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Comentários

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A Guerra do Paraguai é explicada hoje como o estopim das disputas de fronteiras, navegação e influência política na região do Rio da Prata.

No século XIX, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai ainda estavam se formando como países independentes (processo de construção dos Estados nacionais). As fronteiras não eram bem definidas e as disputas políticas internas de um país afetavam o outro. O conflito armado foi o trágico desfecho local para consolidar a soberania e os limites territoriais de cada nação na região platina.

Gabarito D

Gabarito D

Pesquisas atuais destacam que a Guerra do Paraguai não pode ser explicada apenas como resultado de manipulações externas, mas sim como parte de um processo interno de construção dos Estados nacionais na região do Rio da Prata.

Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai estavam em meio a disputas territoriais, econômicas e políticas que buscavam consolidar suas soberanias e definir seus espaços de poder.

CFOPMBA

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