Potência científica asiática se destaca também em
indicadores de qualidade
A quantidade de artigos científicos publicados pela
China cresceu mais de 20% entre 2021 e 2022, enquanto a
dos Estados Unidos caiu cerca de 1,6% no mesmo período,
segundo o relatório da editora Elsevier com a base de dados
Scopus. O desempenho chinês no pós-pandemia ampliou a
rivalidade científica entre as duas principais potências do
planeta e deve consolidar a dianteira do país asiático, que já
vinha superando o adversário geopolítico em indicadores
quantitativos desde 2019. O vigor da pesquisa da China se
destaca também em métricas qualitativas. No ano passado,
um relatório do Ministério da Ciência e Tecnologia do
Japão, com base em dados da empresa Clarivate Analytics,
demonstrou que a pesquisa chinesa foi responsável por
27,2% do 1% de artigos mais citados do mundo, à frente dos
Estados Unidos, com 24,9%. Os dados se baseiam em
médias obtidas entre 2018 e 2020. Já quando se analisam os
10% de artigos mais citados, a China respondeu por 26,6%
das publicações e os Estados Unidos por 21,1%.
Em junho passado, o banco de dados Nature Index
divulgou indicadores atualizados sobre os países e as
instituições mais prolíficos em ciência de alta qualidade e
mostrou que o desempenho da China superou pela primeira
vez o dos Estados Unidos nas ciências naturais, que
englobam ciências físicas, químicas, biológicas, da Terra e
ambientais. Os chineses alcançaram 19,3 mil pontos no
Nature Index nesse campo do conhecimento – que avalia a
produção em 82 revistas de alto impacto –, enquanto os
norte-americanos ficaram com 17,6 mil pontos. Já nas
ciências da saúde, a liderança é inequivocamente dos
Estados Unidos, que marcaram quatro vezes mais pontos do
que a China. “A China tem buscado aumentar suas
publicações internacionais e tem como alvo principalmente
os periódicos mais bem classificados”, disse à Nature Xin
Xu, pesquisadora da área de ensino superior da
Universidade de Oxford, no Reino Unido. Segundo ela, a
participação da China nas revistas multidisciplinares Nature
e Science aumentou 26% de 2021 a 2022.
MARQUES, Fabrício; QUEIROZ, Christina. Produção científica brasileira sofre retração.
Pesquisa Fapesp, setembro de 2023. Disponível em:
https://revistapesquisa.fapesp.br/avanco-i/. Acesso em: 29 set.2023
O vocábulo “prolíficos”, utilizado no segundo
parágrafo do texto, pode ser substituído pelo seguinte
sinônimo: