Acerca da proteção de cláusulas pétreas implícitas, o STF as...

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Ano: 2025 Banca: UERJ Órgão: UERJ Prova: UERJ - 2025 - UERJ - Procurador |
Q3364463 Direito Constitucional
Acerca da proteção de cláusulas pétreas implícitas, o STF as reconhece como:
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Comentário da Questão

Tema central: O enunciado aborda a proteção das cláusulas pétreas implícitas no controle das emendas constitucionais, conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de tema essencial em Teoria da Constituição — especificamente, a limitação material do poder de reforma.

Legislação aplicável:
Constituição Federal, Art. 60, §4º:
“Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais.”

Jurisprudência: O STF já manifestou, como em ADI 829 DF, que princípios estruturantes não expressos também podem ser cláusulas pétreas: sua abolição ameaçaria a essência do pacto constitucional.

Doutrina: José Afonso da Silva e Ingo Sarlet sustentam que há cláusulas pétreas implícitas, decorrentes de princípios fundamentais, mesmo não literalmente citadas no texto do Art. 60, §4º.

Exemplo prático: Se uma emenda tentasse eliminar o princípio republicano (não listado no Art. 60, §4º), o STF poderia declará-la inconstitucional por ferir uma cláusula pétrea implícita.

Justificativa da alternativa correta – B:
A letra B reconhece que cláusulas pétreas implícitas são fundamentos estruturantes (como separação de Poderes e princípio republicano), que não podem ser abolidos — mesmo não estando expressamente arrolados na Constituição. Apesar de mencionar interpretação restritiva conforme contexto, o ponto principal está correto. Isso se alinha à jurisprudência do STF e ao posicionamento majoritário da doutrina.

Análise das alternativas incorretas:
A) Erro: O STF não permite exclusão de direitos implícitos por interesse coletivo — a proteção de cláusulas pétreas é absoluta quanto à sua essência.
C) Erro: Não existe previsão de revisão por normas internacionais nem limitação da inviolabilidade a contextos internos; a proteção é integral.
D) Erro: Separação dos Poderes não é flexível; não pode ser alterada para suposta eficiência ou por reforma do Congresso, pois integra o núcleo pétreo da Constituição.

Estratégias de prova: Atenção a expressões como “flexível”, “permitido pelo STF”, “por interesse coletivo” ou “só em contexto interno” — geralmente sinalizam pegadinhas.

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✅ Alternativa B

"Fundamentos estruturantes da Constituição que não podem ser suprimidos, como a separação dos Poderes e o princípio republicano, no entanto essas cláusulas podem ser objeto de interpretação restritiva, a depender do contexto histórico e social."

✔ Por que está correta:

  • O STF reconhece cláusulas pétreas implícitas, ou seja, além das expressamente previstas no art. 60, §4º da Constituição (forma federativa de Estado, voto direto, separação dos Poderes, direitos e garantias individuais), também considera alguns princípios estruturantes como protegidos contra abolicação, mesmo que não estejam expressamente listados.
  • Exemplo de cláusula pétrea implícita: princípio da dignidade da pessoa humana, devido processo legal etc.
  • A Corte admite que esses princípios, embora protegidos contra supressão ou abolição, podem ser interpretados à luz do contexto histórico, ou seja, podem ter seu alcance discutido, mas não podem ser eliminados.

❌ Por que as outras estão erradas:

  • A: Errada ao afirmar que o STF permite a exclusão de direitos implícitos por interesse coletivo. Cláusulas pétreas, mesmo implícitas, não podem ser abolidas, mesmo com justificativas coletivas.
  • C: Errada ao dizer que cláusulas pétreas podem ser revistas por normas internacionais. O STF não admite que tratados internacionais anulem princípios constitucionais fundamentais.
  • D: Errada ao afirmar que cláusulas como a separação dos Poderes são flexíveis. O STF entende que não podem ser modificadas em sua essência, nem mesmo para fins de "eficiência".

Honestamente, não sei se tem resposta.

É evidente que o STF reconhece as cláusulas pétreas implícitas, como o princípio republicano. Contudo, a separação dos Poderes é uma cláusula pétrea explícita (art. 60, § 4º, III, CF). Logo, há uma contradição entre o enunciado e a alternativa: no enunciado, está expresso "cláusulas pétreas implícitas", mas, no gabarito, cita uma cláusula pétrea explícita. Assim, fui pela alternativa "menos errada".

"[...]

Por se tratar de limitações ao poder de deliberação das maiorias – elemento inerente à democracia –, as cláusulas pétreas devem ser interpretadas com comedimento. Nessa linha, não se proíbe toda e qualquer alteração no enunciado textual ou no regime constitucional de um direito fundamental, mas apenas a deliberação de propostas tendentes a aboli-lo – i.e., daquelas que, uma vez aprovadas, atingiriam seu núcleo essencial, esvaziando ou minimizando em excesso a proteção conferida pelo direito². É preciso encontrar, no particular, o ponto de equilíbrio que preserve o núcleo de identidade da Constituição sem promover o engessamento da deliberação democrática por parte do Congresso Nacional

É justamente em função de seu caráter contramajoritário e potencialmente antidemocrático que as cláusulas pétreas devem ser interpretadas restritivamente, sem a pretensão de alargar demasiadamente o seu sentido e alcance. Nessa linha, a Comissão de Veneza recomenda que as cláusulas de intangibilidade se limitem à tutela dos princípios básicos da ordem democrática e sejam interpretadas e aplicadas de forma restritiva e cautelosa . No Brasil, embora o rol de cláusulas pétreas seja amplíssimo, admite-se sem dificuldades a possibilidade de limitação de seu conteúdo, até mesmo pelo legislador infraconstitucional, desde que preservado o núcleo essencial dos princípios e direitos protegidos."

~ STF, MS 34448, Rel. Min. Luís Roberto Barroso

Separação dos poderes é expresso, pelo amor de Deus.

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