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Q4151622 Medicina
Paciente sexo feminino, 35 anos, se apresenta com queixa de dor na barriga em consulta em pronto atendimento. Paciente gestante de oito semanas e dois dias, gravidez confirmada há uma semana pelo exame de sangue, não realizou ultrassonografia. Refere dor abdominal intensa e persistente em baixo ventre, com irradiação para a região lombossacral há duas horas, associada à tontura, náuseas e síncope. Nega vômito ou febre. Nega sangramento ou corrimento. Ao realizar ultrassonografia transvaginal em atendimento hospitalar, apresentou, ausência de saco gestacional intra-útero. Hemorragia intra-abdominal no recesso de Morrison. Sobre o tema apresentado, analise as alternativas e assinale a INCORRETA: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Na gestação ectópica, o atraso diagnóstico aumenta o risco de ruptura do sítio ectópico, hemoperitônio, instabilidade hemodinâmica e morte materna. No enunciado, dor abdominal intensa, síncope, ausência de saco gestacional intraútero e hemorragia no recesso de Morrison indicam ectópica complicada/rota, tornando falsa a alternativa que diz que o diagnóstico mais tardio reduz o risco.

Tema central: Gestação ectópica
Análise das alternativas
A
Errada
Não é o erro-alvo da questão, mas há imprecisão técnica de classificação. A forma tubária responde pela grande maioria dos casos, porém ovário, colo do útero e cavidade abdominal são sítios ectópicos distintos; gravidez cervical e ovariana não são formas de gravidez abdominal. Ainda assim, a banca não tomou essa impropriedade como motivo do gabarito.
B
Errada
Compatível com a fisiopatologia da ectópica tubária. Condições que lesam, deformam ou obstruem a trompa retardam o transporte do concepto e favorecem implantação ectópica, como aderências pós-cirúrgicas, inflamação associada a IST/DIP, irregularidades anatômicas tubárias e compressão por massa.
C
Certa
A alternativa C é a incorreta porque inverte a relação entre tempo de diagnóstico e gravidade: quanto mais tardio o diagnóstico da gestação ectópica, maior o risco materno, pela possibilidade de ruptura e hemorragia intra-abdominal. O caso já traz sinais de complicação hemorrágica, como dor intensa, tontura, síncope e sangue livre intraperitoneal. A ausência de sangramento vaginal não exclui ectópica grave.
D
Errada
Está essencialmente correta para o nível da prova. A dosagem seriada de β-hCG é importante na avaliação da gestação inicial; elevação inadequada sugere gestação anormal, inclusive ectópica. Em associação com ultrassonografia sem saco gestacional intrauterino e quadro clínico sugestivo, o raciocínio diagnóstico se fortalece. A duplicação em 48 horas é uma simplificação didática aceitável aqui.
E
Errada
Está correta. A gestação ectópica não pode ser transferida para o útero e requer tratamento. Os dois eixos terapêuticos citados na base são manejo medicamentoso em casos selecionados e cirurgia nos casos complicados, rotos ou com critérios que afastem tratamento clínico.
Pegadinha da questão
A banca explorou a inversão do risco temporal: em gestação ectópica, diagnóstico tardio piora o prognóstico, não melhora. A ausência de sangramento vaginal no enunciado também pode confundir, porque há ectópica grave com hemoperitônio sem sangramento exteriorizado.
Dica para questões semelhantes
  • Em suspeita de gestação ectópica, valorize dor intensa, síncope e líquido livre intraperitoneal como sinais de complicação hemorrágica.
  • Ausência de sangramento vaginal não exclui ectópica, inclusive rota.
  • β-hCG isolado não fecha diagnóstico; ele deve ser correlacionado com a ultrassonografia e com o quadro clínico.
  • Se uma alternativa disser que atraso diagnóstico reduz risco em ectópica, ela contraria a fisiopatologia central da doença.

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