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Q2097583 Psicologia
        B é um homem de 50 anos de idade, músico de sucesso no passado, que diz não saber se é alcoólatra. Não bebe todo dia, mas consome por vezes uma garrafa de vodca em parceria com a mulher em dias comuns. Sua história: menino talentoso, pianista precoce, aderido durante anos a um grupo musical falido, sem autonomia financeira e mostrando-se, a cada sessão, frágil e vulnerável. Sua foto de infância vestido de terno revela a deformidade já inicial — um menino que nunca deu trabalho. Só chorou em desespero quando a irmã nasceu, aí, aos três anos, deu sinais de que era criança... contava a mãe orgulhosa de seu filho maduro. Andou cedo, falou cedo, tocou piano para todos com seu corpo pequeno em um tamborete onde não podia nem apoiar os pés. Nenhuma retaguarda, nenhum respaldo afetivo. 

Acerca do quadro clínico hipotético acima, julgue o item a seguir, relativo a intervenção psicológica.


No caso de B, em uma consideração psicanalítica, o álcool não entraria para preencher uma carência afetiva, ou para anestesiar sentimentos, mas a ingestão dessa substância forja um aquecimento que cria uma forma interna ilusória de consistência. É uma impressão alucinatória de integridade psíquica. A adição — o alcoolismo — ganha contornos de uma privação inicial, que faz pensar no território do autismo, nessa capacidade exacerbada de criação de formas de sensação para garantir uma sobrevivência psíquica. A possibilidade para B é uma trajetória analítica de construção de um eu, não por intermédio de uma ressignificação de experiências já vividas, mas como uma nova experiência, inaugural.

Alternativas

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Alternativa correta: C – Certo

Tema central da questão:

A questão aborda o entendimento psicanalítico sobre o uso do álcool em um quadro de possível alcoolismo, especialmente sob a perspectiva de adaptação psíquica a carências emocionais precoces. Explora o conceito de como a substância pode servir para oferecer uma ilusão de integridade psíquica diante de falhas no desenvolvimento afetivo inicial.

Resumo teórico – O conceito psicanalítico do uso de substâncias:

Na psicanálise, especialmente em autores como Donald Winnicott e André Green, enfatiza-se que falhas ambientais precoces — como ausência de respaldo afetivo ou necessidade de amadurecimento precoce — podem deixar o indivíduo com um "falso self" ou com um sentimento de vazio interno. Nestes casos, o uso de substâncias pode surgir não apenas para anestesiar a dor, mas principalmente para tentar criar artificialmente uma sensação de coesão ou consistência interna que nunca foi devidamente construída na infância. Isso se diferencia de um uso dirigido apenas à fuga emocional; está mais próximo de um mecanismo de sobrevivência psíquica básica.

Referência: Winnicott, D.W. "O Brincar e a Realidade"; Green, A. "O Trabalho da Negatividade".

Justificativa da alternativa correta:

A alternativa está correta porque retrata com precisão o raciocínio psicanalítico sobre casos crônicos de carência afetiva: o álcool não é usado apenas para preencher um vazio ou anestesiar sentimentos, mas para forjar uma sensação subjetiva de consistência interna — algo próximo de uma “impressão alucinatória de integridade”. O texto citado ainda indica que a trajetória terapêutica mais indicada seria a construção de um eu por meio de uma nova experiência subjetiva, e não apenas pela ressignificação do passado, o que está em sintonia com linhas contemporâneas da psicanálise dedicadas a quadros marcados por privação afetiva primária.

Esse ponto é especialmente importante em contextos em que há semelhança com funcionamentos autísticos ou grandes traumas desenvolvimentais, nos quais o sujeito precisa de formas artificiais (substâncias) para se sentir “real” ou inteiro.

Estratégias para responder à questão:

Para acertar esse tipo de questão, atente para:

  • Análise do contexto biográfico: identifique traços de desamparo ou maturidade precoce impostos à criança.
  • Diferença entre preenchimento de vazio vs. forjar consistência: o enunciado destaca a criação de uma impressão ilusória de integridade, indo além do mero anestesiar da dor.
  • Linguagem técnica: termos como “privação inicial”, “território do autismo”, “criação de sensações para sobrevivência psíquica” são pistas de referenciais psicanalíticos avançados.
  • Evite respostas simplistas quando o enunciado sugere mecanismos psíquicos sofisticados.

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Comentários

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Na minha opinião isso não tem a menor lógica

Não identifiquei sinais de autismo.

Qual a referência bibliográfica, monitor do Q concursos? Apenas repetiu a assertiva e afirmou que é correta. Não contribuiu com nada o comentário.

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