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Q3617675 Português
Por que o tédio pode ser bom para o cérebro?


           Se alguém te convidar simplesmente para sentar e não fazer nada, você certamente vai se lembrar da longa lista de tarefas pendentes à sua espera ou vai pensar em algo melhor para fazer.
        A sensação de que o dia não tem horas suficientes para fazer frente a todos os e-mails não lidos, resolver as pendências no trabalho ou se dedicar à família é algo corriqueiro.
        Soma-se a isso que, quando não estamos tentando dar conta dessas tarefas, pegamos nosso celular para ler algo online ou responder algum comentário nas redes sociais, em uma busca contínua por entretenimento.
        Poucas pessoas pensam no tédio como uma opção válida. Mas, segundo neurocientistas, o tédio, mesmo com sua má reputação, pode aumentar nossa criatividade, nosso comprometimento com as tarefas e nossa produtividade no trabalho.
        Um famoso experimento, publicado na revista Science, mostrou, inclusive, que existem pessoas que preferem levar um leve choque elétrico a ficar sozinhas com seus pensamentos.
        No experimento, os pesquisadores pediram a um grupo de pessoas que se sentasse em silêncio por 15 minutos em um quarto sem nada para fazer. Como alternativa, sua única opção era apertar um botão e receber um choque elétrico.
        Sofrer uma descarga elétrica é desagradável, mas muita gente, especialmente do sexo masculino, preferiu levar o choque a ser privada de estímulos sensoriais externos.
        Podemos considerar o tempo de inatividade, o tédio ou a ociosidade como uma limpeza mental: uma forma de liberar nossa mente da congestão cognitiva acumulada com o passar do tempo. Por isso, a questão não é tanto que precisamos nos deixar entediar — mas, sim, que precisamos de tempo vazio, ou menos cheio de coisas.
        Dormir é uma das formas que o cérebro tem de fazer uma limpeza depois de um dia inteiro, mas ele continua trabalhando. E o tédio também é importante para sua saúde.
        Na Itália, as pessoas têm isso muito claro. A expressão il dolce far niente (“a doçura de não fazer nada”) faz parte da cultura do país, onde o descanso, o prazer de ficar sem fazer nada, é parte da vida.
        Não se trata de fazer uma siesta, mas sim de algo mais profundo. Trata-se de deixar de lado o ritmo do dia a dia e dedicar um momento à introspecção, o relaxamento e a consciência de viver no momento presente.
        Portanto, agora você sabe: é importante cultivar o tédio, esse prazer de não fazer nada, e saber apreciá-lo.

(Fonte: BBC — adaptado.)
Com relação ao emprego dos porquês, assinalar a alternativa CORRETA: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Tema central: Ortografia — Uso dos porquês na língua portuguesa. Essa questão exige conhecimentos sobre as quatro formas: por que, por quê, porque e porquê. O domínio desse conteúdo é essencial, pois o erro é recorrente em concursos e textos científicos.

Alternativa correta (B):
Não sabemos por que ele estuda, se não aprende.

Nessa frase, temos uma pergunta indireta (não iniciada por ponto de interrogação), trazendo o sentido de “por qual motivo” ou “por qual razão”. Assim, usa-se por que (separado e sem acento). Essa aplicação obedece à norma-padrão e segue autores como Evanildo Bechara e Cunha & Cintra: “‘por que’ é empregado em perguntas diretas ou indiretas, podendo ser substituído por ‘por qual motivo’.”

Análise das alternativas incorretas:

A) Paulo fez aquilo por quê quis, não é verdade?

Erro: “Por quê” (separado, com acento) só é aceito em frases interrogativas no final da oração, antes de pontuação forte. No meio da frase, o correto seria porque (junto, sem acento), pois indica explicação/causa: “Paulo fez aquilo porque quis.”

C) Entender porquê, ocasionalmente, é complicado.

Erro: “Porquê” (junto, com acento) é substantivo e precisa de determinante: artigo, numeral ou pronome antes dele. Correto: “Entender o porquê é complicado.”

D) Porque tinhas que fazer isso conosco?

Erro: Em perguntas diretas, utiliza-se por que (separado, sem acento). “Porque” (junto) só apresenta valor de explicação ou causa, nunca inicia pergunta. Correção: Por que tinhas que fazer isso conosco?”

Resumo das regras:

  • por que: perguntas diretas/indiretas (“por qual motivo”);
  • por quê: fim da frase/pergunta (“por qual motivo”);
  • porque: resposta, explicação, causa;
  • porquê: substantivo (“o motivo”).

Dica de concurso: Leia a frase e tente substituir por “por qual motivo”. Se funcionar, é por que (separado). Em fim de frase: por quê. Se for uma explicação, use porque (junto).

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